Onde está a Crise?

July 22, 2017

 

 

 

Boa tarde, caros leitores! Voltei para mais um colóquio com vocês.

 

Fugindo ao tema inicial, amparado nas minhas vivências acadêmicas e profissionais, as “Artes”, venho hoje me pronunciar a respeito da Mola Mestra do Mundo, o Dinheiro, apelidado afetivamente de dindin, bufunfa, tostão, verdinhas, dólares, la plata, “faz me rir”, etc ...

 

Há duas semanas, ouvi uma expressão curiosa de um jovem colega do Soteroprosa, a respeito de tirar “escorpiões” do bolso, com minha imaginação fértil, fantasiosa e até mesmo pueril, concebi mentalmente, uma grande organização de escorpiões negros, apocalípticos, intergalácticos ou do tipo guarda imperial dos faraós, com colossais pinças de aço, protegendo o indefeso “dinheirinho”, das minhas vontades furtivas, levianas, compulsivas e fúteis, os irresistíveis regozijos do dia a dia.

 

Após esse devaneio sem subterfúgios de estimulantes alucinógenos, divaguei sobre o uso que fazemos do “vil metal”, o deleite que ele nos proporciona e sobre a pauta dos últimos séculos no Brasil. A crise no país do eterno desenvolvimento, onde o gigante permanece adormecido, letárgico e impotente diante de seus doentes filhos. Será amada a pátria?

 

Insanidades e escorpiões à parte, manifestou-se indagações na minha cabeça que não carrega somente a vasta cabeleira.

 

De que forma eu uso meu dinheiro?

 

Quais as minhas prioridades financeiras e humanas?

 

Em que âmbito da minha vida sou afetada pela crise?

 

Formaliza-se então o conceito “Crise Eletiva”. Por definição, vide dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, eletiva se refere a  – relativo, ou que envolve eleição, escolha, afinidade. No nosso cotidiano escolhemos quais desejos são prioritários e quais são supérfluos, normalmente amparados no contexto, social, cultural e geográfico onde estamos agrupados e trazendo à tona não somente questões numerárias, mas as deformações de valores imprescindíveis na constituição do ser humano.

 

Quais seriam as necessidades elementares ao indivíduo contemporâneo?

 

Na minha saga diária  trato com público das mais distintas classes sociais , me deparando com situações inusitadas, surreais, esdrúxulas, desprovidas de qualquer lógica e bom senso, onde prazeres imediatos e (ou) a manutenção de um falso status, financeiro, facebookiano de vida perfeita, substituem as necessidades básicas : educação , saúde e cultura. Agora eu te pergunto caro leitor: Onde está a Crise?

 

Todos os dias da semana , bares e restaurantes da soterópolis ficam apinhados de felizes “servos”  da Cerva, se embriagando de redondas ou de outros formatos e se refestelando nas alimentares e saborosas gordices típicas, brindando a alegria de viver.

 

Onde está a Crise?

 

Torcedores fiéis, fanáticos , amantes de outra “‘redonda”l  agora,  'A Bola', lotam as arenas de futebol, nos mais variados campeonatos nacionais , dando incentivo, força, espírito de luta e nunca abandonando seus times  “cardíacos”, nem mesmo aqueles em franco declínio e decadência como o Bahia e o Vitória.

Onde está a Crise?

 

A vaidade feminina e masculina  alimenta um mercado que gera bilhões por ano , sendo o Brasil um dos maiores consumidores mundiais na área de estética , oscilando entre o 1º e o 2º lugares em quantidade de cirurgias plásticas no globo terrestre. Para mim mesma, não falta vontade , só tempo ($$$$$$) para uma pequena intervenção, transformar minha cútis de 34, numa rejuvenescida pele de 20.

 

Onde está Crise?

 

A cada lançamento tecnológico, um público ávido, alucinado, zumbificado, busca numa corrida frenética adquirir as novidades, as novas gerações de tablets, smartphones, iphones, à prova d’água, com câmeras da mais altas resoluções, internet  mais veloz que a Luz, aparelhos que nos comunicam com outros povos em outros planetas ou extravagantes Tvs, LED, SMARTS, OLED, descomunais, leves, com mínimo diâmetro de largura, mas com profundidade na imagem, conseguindo quase nos teletransportar à realidade da tela, distante da realidade real.

 

Onde está a Crise?

 

A cada feriado ou data comemorativa pessoal, arruma-se a mala e ruma-se em direção à praia , ao interior , a resorts aconchegantes e luxuosos, a viagens internacionais, independente do poder aquisitivo não fugimos a oportunidade de desopilar da nossa rotina estressante e cruel .

 

Onde está a Crise?

 

A frota de veículos do pais está cada vez maior, gerando congestionamentos intermináveis e deixando nossas mal planejadas vias num mais completo pandemônio. Além da aquisição de veículos populares, uma singela mas notada parte da população, que também se queixa da “crise”, continua comprando e modelando em seus radiosos veículos de alto padrão,  com valor igual ou maior que moradias populares.

 

Onde está a Crise?

 

No mais popular dos carnavais, gasta-se fortunas, para trajar indumentárias bizarras, bailar ao som frenético e avassalador  do condutor das multidões, “ o trio elétrico”, que também tem função de médico, curador de todos os males do corpo e da alma. No período momesco, milagrosamente não se adoece.

 

Poderia destilar um imenso rosário de outros comportamentos incongruentes perante a crise gastando mais algumas dúzias de páginas, mas não se faz necessário.  Porque eu, cidadã brasileira, honesta, hipócrita, acomodada, com síndrome de coitada, mas feliz, me isento de qualquer responsabilidade perante o gerenciamento dos meus dias na terra, culpabilizando  o grande Monstro satã “Estado” por meus percalços.

 

Onde está a Crise?

 

Na educação? Eu pago R$ 3.000 em um celular, mas aceito e acato menos de R$ 1.000 no salário de um professor, não remunerando nem valorizando os formadores dos amados filhos da pátria. Na arte? Na produção musical de qualidade, revelada pela desvalorização dos gêneros musicais não descartáveis?

 

Nos valores “humanos”?

 

Qual setor da sua vida foi eleito para estar em crise? Agora é o momento da sua reflexão. Até a próxima, caro leitor.

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