Extrema

September 19, 2017

 

 

De fato, não tenho "uma razão" para escrever... os meus textos sou eu. Eles compõem a minha fantasia, aliadas à minha percepção da vida, das pessoas, das relações, imperfeitas como eu. Como verão nesses poemas, hoje, é uma literatura impressionista e plena das minhas emoções.

 


Que me tenhas extrema

e seja eu inteira

mas que me queiras utópica

e percebas sem fronteiras o sublime

que morre em mim se te aproximas

e me pertença e a ti

a mesma humanidade

que possa deixar inteira lá a minha alma

se te apossas do meu eu

e que te ergas sobre o corpo

cuja pele em cetim te afaga

ah... que te esvaias

e possa eu arder e apaziguar o teu cansaço

e ser tua manhã

a tua aurora

a tua harpa e teu compasso

se em minha carne te alimentas

e te banhas no sangue

que aflora rubro em minhas faces

depois repouses

com a leveza da espuma

e te adormeça

o aconchego frágil em meu regaço

 

 

Para o café.

 

Só de brincadeirinha vou fingir que te verei amanhã; vou fingir que nada mudou e que ainda estás ao alcance dos meus abraços... depois, vou planejar o meu dia tentando não pensar. Vou viver cada minuto dessas 24 horas tentando fingir que nada mudou e esperando a hora de te ver, como todos os dias, após o término das nossas lutas diárias, há tantos anos...quantos? nem lembro mais...parece que são milhares deles; algumas encarnações... Mas houve um imprevisto, creio, e à hora de sempre tu não estavas lá. Mas ainda acho que vou dormir dentro dos teus braços; foi só um pequeno atraso...e chegarás de mansinho com cuidado para não me acordar, deitarás ao meu lado e passarás a perna esquerda sobre mim como fazes todas as noites; a tua perna pesa sobre o meu ventre e sinto vir à tona um calor que me sufoca e quase me consome, e se alastra fazendo crescer a labareda imortal que há entre nós. Mal penso em ti me sinto quase incapaz de controlar esse sentimento profano e inexplicavelmente sagrado. Sinto uma vontade quase irreprimível de te tocar, mas ressonas tão entregue e tranquilo que não consigo te acordar, e penso...penso que não tenho o direito de invadir a tua placidez quase inocente,  e me deixas presa sob tua perna esquerda como se tivesses medo que eu pudesse fugir... Durmo aconchegada ao teu lado direito como se teus braços fossem asas a me abrigar; parecemos ter apenas um unico tronco tão unidos adormecemos...Então, abro os olhos de manhã, preocupada com o horário do trabalho e não te vejo, prendendo-me com tua perna esquerda...

 

 Não chegaste? onde foste? deixei-te um bilhete; tu o leste? o sono me abateu antes que tivesses chegado...que pena, nem percebi o teu abraço e o aconchego do peso da tua perna esquerda...

 

P.S. Então, nos veremos amanhã para o cafe?

 

Por Guacira Maciel

 

Compartilhar
Please reload

  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon
  • Grey G+ Icon

RECEBA AS NOVIDADES

CULTURA, SOCIEDADE, ARTE E MUITO MAIS

© 2019 por Soteroprosa | Design por Stephanie Nascimento. Implementação e suporte por Wix.com.

SOTEROPROSA: OLHARES CONTEMPORÂNEOS