"Isso é coisa de preto": Opiniões sobre uma injúria na TV


Na cobertura de uma reportagem nos EUA sobre as eleições norte-americanas, o jornalista da Rede Globo Willian Waak reagiu a um buzinaço próximo ao local onde estava com um convidado. Reclamando do barulho, teria dito em cochichos inaudíveis que aquela barulhada toda era “coisa de preto”. A frase foi dita fora do ar, mas somente agora foi vazada. Essa injuria teria sido decifrada por leitura labial. Diante do fato, a emissora afastou o jornalista do comando do “Jornal da Globo”. Imediatamente, muitas pessoas nas redes sociais pediam a demissão sumária de Waak.


A demissão seria justa, óbvio. Em pleno trabalho, mesmo fora do ar, o jornalista proferiu algo repugnante. Não foi na praia tomando sol, nem saindo bêbado de uma boate. Foi pouco antes de entrar ao vivo para cumprir seu oficio! O vídeo foi gravado por um celular pelo ex-operador de VT da emissora Diego Rocha e vazado pelo designer gráfico Robson Cordeiro. O texto que se segue não é para falar sobre as práticas do racismo no Brasil. Isso é constantemente debatido e muito bem posto por ensaístas mais inteirados e estudiosos do assunto. A questão aqui é opinar sobre o que aconteceria se o jornalista fosse demitido. A meu ver, pelo que vejo e analiso como expectador dos desígnios da grande imprensa, o desligamento total não seria uma boa saída. E opto pela opinião porque opiniões podem ser proferidas por qualquer um, não apenas especialistas.


Esse mesmo Waak muitas vezes foi acusado de declarações políticas duras aos governos do PT e muitas vezes é chamado de “golpista” – pertencente que é ao grupo de profissionais da TV e dos veículos de comunicação que apoiaram a queda de Dilma Rousseff. Mas independente de posições ideológicas, o que se pode avaliar de cara é que alguém com mais de 60 anos proferir essa citação infeliz mostra que seu preconceito não tem como ser revertido. E que o jornalista tenha passado esse tempo todo na TV sem nenhum arranhão quanto a qualquer outro comentário discriminatório é que é a surpresa.


Mas por que eu afirmei que a demissão seria um tiro no pé? Demitido, o jornalista em questão seria procurado por outros grupos da mídia para falar sobre o assunto. Teria espaço, coisa que ele menos deveria ter. Acredito, por leve inspeção, que uma pauta com algo tão polêmico geraria atenção de muita gente que consome ou obtém informação. Todos iam querer ler ou ouvir o que ele teria a dizer. Ele iria se desculpar? Iria negar o que