De olhos bem fechados. Último filme do diretor Stanley Kubrick

December 27, 2017

 

 

 

 

 

 

Hoje falarei, brevemente, de um filme que escavei no Netflix, De Olhos Bem fechados, de 1999, do renomado diretor Stanley Kubrick, de Laranja Mecânica, Lolita e 2001 - Uma Odisseia no Espaço. Descobri que foi o último filme que ele produziu. Infelizmente não chegou a ver sua obra nas telonas.

 

De olhos Bem Fechados, pode ser interpretado por diversas faces, desde a visão comum do cotidiano banal, passando por fantasias sexuais da mente, questões acerca do casamento, pelas relações sociais e pelo ocultismo. Irei me concentrar na questão das fantasias sexuais e do casamento.

 

O excelente suspense e drama de Kubrick traz reflexões acerca do casamento. Os protagonistas estão juntos a nove anos, e tem uma filha. Aparentemente levam uma vida mais ou menos comum, o que de certa forma garante uma certa estabilidade na relação, ao menos por parte de Bill (Tom Cruise). A questão é quando Alice (Nicole Kidman) percebe o quão linda e sedutora ela é. A figura do espelho reflete essa percepção muitas vezes. A própria Alice tende a ter fantasias (ou sempre as fantasiou?)  com outras pessoas. Natural da espécie humana ou culpa de um casamento desgastado?

 

Para o protagonista, um clinico geral bem sucedido,  seu casamento vai bem, pois ele acredita que as mulheres casadas, inclusive a sua, não possuem desejos sexuais com outros homens. Talvez por culpa de uma visão patriarcal da sociedade, Bill acredita que as mulheres compromissadas não possuem instintos de infidelidade, muito por conta da etiqueta social, regras de civilidade comportamental e respeito. Essas características tendem a destruir a libido pecaminosa. E mesmo que perceba que mulheres solteiras possam tentar seduzi-lo, ele zela pela sua relação matrimonial. 

 

Bill descobre que as coisas não são bem assim. As mulheres casadas ou com qualquer outro tipo de compromisso sério também fantasiam com outros homens. E é esse ponto que  Kubrick enfoca bastante. O médico atende muitas clientes da alta sociedade, e seus olhos vão se abrindo para um novo mundo, no qual não enxergava antes. Existe um universo subterrâneo, o fim do arco-íris, cheio de anseios e fantasias sexuais de todos os graus, seja de forma concreta, real, seja através dos sonhos.

 

 

 

Ao acordar para esse novo mundo, nosso protagonista vai sendo levado por caminhos nunca antes experimentados, que tendem a puxá-lo para a traição. Ele vai fundo na toca do coelho, frequentando , inclusive,  e sem querer, um culto muito excêntrico e sexual da alta sociedade. Homens e mulheres, devidamente anônimos, que buscam todo tipo de prazer extravagante com desconhecidos. Esse culto tântrico é bem explorado pelo diretor, com uma sonoridade que lembra muito ritos medievais, e magia obscura sexual. Um lugar secreto!

 

Pouco a pouco, o  doutor vai compreendendo que mulheres tem tentações íntimas tão quanto os homens; e Alice escancara isso na sua frente. Como ele lidará com isso, e até onde ele vai para descobrir que há escolhas e escolhas a serem feitas, e que isso vale para salvaguardar seu casamento, sua família e sua carreira? Como aceitar que o volúpia erótica e a fantasia sexual pode acometer a qualquer um, incluindo sua cônjuge? Até que ponto um relacionamento de nove anos se sustenta pelo amor ou pelo sexo? São esses desejos, curiosidades e anseios que faz Bill e até o fundo do poço para refletir.

 

Para não dar mais spoiler, o filme ainda nos faz pensar sobre como todos nós não estamos imunes a certos sentimentos lascivos (ou somos?). Também, como devemos reatualizar a relação conjugal com o risco de que as fantasias dos sonhos saltem para a realidade. Além disso, mostra um universo que pode existir fora da vida ordinária, oculto aos olhos vedados.

 

 

Fontes.

 

Imagem 1:  http://www.neatorama.com/2015/09/08/20-Eye-Opening-Facts-About-Eyes-Wide-Shut/

Imagem 2: https://twitter.com/carolina_rocha_/status/540897126398431232

 

 

 

 

 

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