• autor convidado

A convergência das minorias: uma semente de utopia



Vitor Adriano Dantas Paranhos



O conceito de minoria, enquanto segmento de humanidade à qual é negada a participação política e ocupação de lugares de prestígio e poder social, se mostra paradoxal. Para fins de constatação, poderíamos quantificar num único grande grupo todas as minorias, que, sem dúvida, somariam um número muito superior à parcela social que historicamente captura o poder. Ora, então o problema comum às minorias é um problema da efetiva maioria: quem tem o direito de existir? E quem pode decidir?


As lutas dos diversos segmentos sociais por reconhecimento e por direitos já não é novidade. No entanto, a sociedade continua a oxigenar movimentos e valores de competitividade, ódio à diferença e um declínio do pensamento sistemicamente integrado. As vitórias alcançadas pelas lutas das minorias mal podem ser comemoradas num contexto opressivo em constante atualização. Além disso, a natureza específica de muitas das pautas das minorias dificulta uma visão política abrangente, capaz de produzir uma conjugação das lutas sem apagar e anular suas singularidades. Tal convergência, a cada dia mais urgente, tem o potencial transformador de produzir rupturas na dimensão política e social hegemônica, e mudar efetivamente o que se entende por status quo.


A articulação proposta nessa convergência implica um compromisso democrático intenso, aliado a uma concepção de alteridade amplamente difundida e trabalhada nos mais diversos âmbitos da sociedade. De outro modo, como se poderia conjecturar um mundo em que os povos das mais diversas etnias, culturas, crenças, pessoas de todos os gêneros, orientações sexuais, perspectivas históricas, etc pudessem construir juntos uma sociedade? Há de se considerar que conflitos existirão, sendo resolvidos através de amplas discussões seguindo valores construídos coletivamente.


Todas as minorias, em sua diversidade, se inscrevem num contexto mundial e local marcado por intensas crises institucionais, econômicas e sobretudo, humanas. Se não estivermos, todos nós, dispostos a desafiar a lógica do poderio econômico e moral estabelecido e a construir uma sociedade que repudie tais hierarquizações, produziremos resultados estéreis a longo prazo. Lembremos que, para além da legitimidade de nossa luta, existe a luta do outro. As lutas dos diversos segmentos “minoritários” secretam fragmentos da luta pela humanidade.


Vivemos num planeta belo e antigo. A ancestralidade é um conceito maior do que normalmente consideramos. A diversidade é tão fundamental à vida quando o ar que respiramos. Como humanos, devemos (re)aprender a enxergar a diferença como um valor a ser admirado. Todo ser humano tem o direito de existir e ninguém deveria ter o poder de anular essa máxima. Até que profundidade estamos dispostos a criticar a nós mesmos e aos segmentos sociais e culturais às quais estamos inseridos? Como poderemos aprender a ver com os olhos do outro e agir de acordo? A superação deste paradigma complexo reside na nossa capacidade de refletir e agir conscientemente sobre a ideia de que existem mais coisas que nos unem do que nos separam.




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