A final da Copa: pureza racial versus pluralidade étnica

 

Estão definidas as seleções que irão disputar a grande final da Copa do Mundo de Futebol Rússia 2018! França e Croácia irão decidir no próximo domingo quem levantará a taça. Os franceses têm um título conquistado em 1998 e luta pelo bi. Já os croatas chegaram pela primeira vez a uma final de copa. Ambas se enfrentaram justamente na semifinal da copa conquistada pelos franceses. Os croatas tentam dar o troco. A parte futebolística fica por aqui. Política, história e geografia passam agora a chamar atenção nesse confronto.

 

Aos croatas, está sendo imputado a acusação de “nacionalismo extremo”. Logo após a vitória contra a Argentina, os jogadores teriam cantado no vestiário a canção “Bojna Cavoglave”, que seria da banda Thompson, conhecida por fazer apologia ao fascismo. A letra dessa música faria alusão ao grupo fascista Ustase, que controlou a Croácia durante a Segunda Guerra Mundial. Esse grupo flertava com o nazismo alemão e teria provocado um genocídio de sérvios. Lembrando que a Croácia fazia parte da antiga Iugoslávia, junto com os sérvios (pra quem filou as aulas de Geografia pra jogar bola ou “baleou”). Um jogador croata, Josep Simunic, havia feito saudações a essa milícia e foi punido, não participando da Copa de 2014, no Brasil.

 

A torcida da Croácia também é conhecida por manifestações nada gloriosas. Já foi penalizada pela FIFA algumas vezes. Em 2012, a Federação Croata pagou 60 mil euros por manifestações nazistas de sua torcida, que exaltavam o grupo Ustase e exibindo faixas que louvavam estes aliados de Hitler. Em 2015, a seleção sofreu sanções em virtude de uma suástica – símbolo nazista – ter sido marcada no campo, durante uma partida contra a Itália. Nessa mesma partida, os torcedores ofenderam o jogador italiano Mario Balotelli, que é negro, com cânticos racistas. Lembremos que a Itália fascista, também aliada dos nazistas, entrou na Segunda Guerra com dois títulos mundiais conquistados em 1934 e 1938, o que eleva o teor nacionalista e discursos supremacistas.

 

Já a França, é conhecida por seus ideais humanistas. A Revolução Francesa é um marco na história mundial e alavancou os princípios democráticos. Através de uma revolução popular, ocorreu a deposição do Rei absolutista Luís XVI. O hino francês – La Marseillaise – é um chamado ao povo francês para a luta e é claramente um canto de guerra revolucionário. Sem querer fazer qualquer juízo de valor, é um dos hinos mais belos de uma pátria, a nação que fundamentou a tríade Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

 

A França também é a terra do Iluminismo, um movimento intelectual que lançava novos conceitos na ciência e na filosofia e um dos marcos para a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Montesquieu, Diderot, Voltaire e Rousseau são vozes marcantes deste período. Esses pensadores até hoje são estudados e suas teorias servem de base para discussões de cunho filosófico e social. Até o ano passado, era o país mais visitado do mundo. É lá que está situado o Museu do Louvre, que mantém sob forte esquema de vigilância o quadro “Mona Lisa” do italiano Leonardo da Vinci, pintura mais valiosa de todos os tempos.

 

O país também é conhecido por uma politica imperialista cruel, que colonizou diversos povos no Caribe e na África. Porém, é o país onde grande número de seus colonos encontrou morada, gerando uma multiplicidade étnica que reflete no esporte do país. As seleções francesas têm grande número de atletas de origem africana, tanto marroquinos e argelinos, quanto senegaleses e camaroneses. A seleção de futebol é uma miríade de jogadores com diversas origens. O maior craque francês, Zinedine Zidane, tem origem argelina. Um dos destaques dessa Copa é um garoto francês de 19 anos, Kylian Mbappé, de origem camaronesa. Companheiro de Neymar no Paris Saint Germain, está doando todo o dinheiro que está conquistando no torneio para instituições de caridade. Ele afirmou que não acha correto receber para defender o seu país.

 

Já a Croácia não tem um histórico de imigrações densas, apesar de estar recebendo milhares de refugiados em seu território. Existem poucas referências à politica croata, mas alguns estudiosos alertam que está havendo naquele país fortes inclinações da população a abraçar os ideias da extrema-direita, conhecida por declarações anti-imigração. A atual finalista da copa não possui jogadores que não sejam de origem eslava, povos que habitam muitos países do Leste Europeu. O brasileiro Eduardo dos Santos já defendeu a seleção croata, sob a condição de naturalizado, em copas passadas. Portanto, esse embate inédito entre franceses e croatas na final do campeonato mundial de futebol pode ser descrito como a pluralidade étnica dos franceses versus a pureza racial dos croatas, assim como o confronto entre as convicções democráticas contra as supostas inclinações fascistas.

 

FONTE:

 

https://www.acheiusa.com/Noticia/franca-e-croacia-final-inedita-58158/ (imagem)

 

https://www.huffpostbrasil.com/2018/07/12/por-que-estao-dizendo-que-os-jogadores-da-croacia-fazem-apologia-ao-fascismo_a_23480965/

 

http://globoesporte.globo.com/futebol/eliminatorias-da-eurocopa/noticia/2011/06/federacao-da-croacia-e-punida-por-manifestacoes-fascistas-da-torcida.html

 

http://www.afilosofia.com.br/post/iluminismo-frances/426

 

https://www.terra.com.br/esportes/futebol/internacional/eurocopa/por-racismo-torcida-da-croacia-fica-fora-de-jogo-com-italia,a43607caa8a9c410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html

 

https://www.todamateria.com.br/revolucao-francesa/

 

http://razoesparaacreditar.com/cidadania/mbappe-doa-salario-copa/

 

 

 

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