• Alan Rangel

6 razões para assistir o seriado Merlí

Merlí é uma série catalã, protagonizada por um professor de filosofia, o ator Francesc Orella, com três excelentes temporadas, produzida pela TV3, e atualmente está no rol de opções da Netflix, desde 2016; é produzida por Héctor Lozano e dirigida por Eduard Cortés. Darei seis boas razões para você disponibilizar um pouco do seu tempo a algo que vai agregar a sua vida. Boa leitura!


A primeira boa razão para assistir Merlí é a possibilidade de entender mais facilmente a filosofia. E você que odeia-a, que crer que tudo precisa de alguma utilidade, acredita que tudo na vida precisa de uma muleta para servir-te à alguma coisa, bem, descontrua tal pensamento, caro leitor. A filosofia não te dá resposta definitiva às tuas perguntas, pelo contrário: ela te ajuda a fazer perguntas e a questionar as respostas ditas como verdades. Pois muito bem, Merlí torna a filosofia menos complexa, e te deixa com muito mais dúvidas sobre a vida, seja do ponto de vista ontológico, seja de um ponto de vista social. O nosso querido e carismático professor faz você pensar sobre questões profundas, de uma forma mais simples, gerando possíveis reflexões além do banal, do senso comum.


O segundo motivo para assistir Merlí é que pode ser uma porta de entrada para você que acredita que filosofia é só para um tipo humano fora da média, anormal. A série aborda em cada episódio um filósofo e algumas de suas principais ideias, podendo incitar, positivamente, o telespectador a aprofundar-se em tal pensador. O bacana é fazer com que você tenha curiosidade em entrar no castelo de um grande filósofo (Platão, Descartes, Marx, Nietzsche, Camus, Sartre), pois Merlí te entrega a chave e a decisão de ir até o fim da jornada.


O terceiro bom motivo é a diversidade de temas envolvidas na série: relações monogâmicas, drogas, relações homoafetivas, agorafobia, traições, questões entre costumes tradicionais e liberais, gravidez na adolescência, gordofobia, bullying, dentre outros. Ou seja, um prato cheio de assuntos contemporâneos e cotidianos.


O quarto motivo para o leitor assistir Merlí são as personagens: professores, pais e alunos. É impressionante como os atores encarnam vários tipos de pessoas encontradas em nosso dia a dia: casa, trabalho, escola, faculdade, relacionamentos com amigos e cônjuges. Com atenção, identificamos as complexidades envolvidas nas personagens, com várias camadas de personalidade, do mais óbvio ao mais contraditório. É sensacional perceber a evolução de alguns deles, da primeira à terceira temporada. E o mais incrível: todos têm algo a nos ensinar. Choramos, sorrimos, ficamos com raiva e sensíveis em vários momentos, mas tudo isto enobrece e torna possível um olhar mais maduro. Não tem como você chegar até o fim e não sentir um vazio quando a série acaba.


Quinto motivo: as novas relações que existem entre professores e alunos de uma escola do século XXI. Merlí é o tipo de educador que faz com que os estudantes participem da aula; ele acredita no potencial e na possiblidade de todos parirem boas ideias. Portanto, o mestre tenta incutir a maiêutica socrática com seus discípulos e os ajuda a pensarem por si mesmos, a encontrarem seu próprio caminho, seguindo suas próprias intuições. Assim, Merlí sai do tradicionalismo de alguns professores, colegas seus, e mergulha numa perspectiva da vivência dos alunos no cotidiano. O mais notório é que ele não enxerga a turma como um número, mas como humanos com defeitos e qualidades, que carregam consigo problemas cotidianos. Merlí tenta entender, portanto, o contexto do aluno além dos muros escolares. Nosso querido personagem principal torna-se amigo de quase todos, mas sem deixar que a amizade comprometa a relação entre docente e discente.


Por fim, a sexta razão, nobre leitor, para assistir ao seriado, é o próprio comportamento do professor Merlí. Desde o primeiro episódio tentamos encontrar uma solidez na personagem principal, mas é uma tarefa difícil, pois ele é complexo. Não é nada fácil criar uma caricatura coerente de Merlí: é ele uma metamorfose ambulante; não só ele, claro, mas a grande maioria das personagens. Em muitos momentos, o professor diz uma coisa e faz outra, ou seja, muita liquidez. Mas na vida real todos nós também estamos em construção, e, portanto, aprendendo a nos conhecer melhor.


Há um turbilhão de sentimentos, muitas vezes paradoxais, que envolvem em demasia o nosso querido professor de 59 anos; em várias ocasiões percebemos o quão próximo de nós a personagem encontra-se. É interessante observar como é a relação dele com sua família e os amores envolvidos, e o quão complicadas elas são.


Enfim, deixo essas breves razões para que o nobilíssimo observador atento, que chegou até o fim desse artigo, possa se deliciar com uma das melhores séries que tive a oportunidade de assistir. Pois o meu vazio por ela não foi preenchido ainda (risos).


Até a próxima!!!


Link da imagem: https://www.elperiodico.cat/ca/tele/20160912/merli-presenta-segon-curs-5375572

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