O Retorno do Rei: a volta da Monarquia ao Brasil?

January 21, 2019

 

 

 

 

 

 

 

Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança, ou simplesmente D. Bertrand, bisneto da Princesa Isabel e um dos líderes do movimento de restauração da Monarquia do Brasil, concedeu uma longa entrevista no youtube, no canal de Leda Nagle. O trineto de  D. Pedro II acredita que o país voltará a ser monarquista, mais cedo ou mais tarde, pois para ele " a República não deu certo. O brasileiro é monarquista". O  meu objetivo é trazer alguns pontos importantes da entrevista,  um resumo de suas principais ideias, não no sentido de oferecer opiniões contrárias ou favoráveis as ideias monarquistas, mas visando mostrar  o pensamento de um dos principais articuladores que almejam o retorno do rei. Deixo aos nobres leitores tirarem suas próprias conclusões acerca das ideias de Bertrand, atual primeiro sucessor do  Chefe da Casa imperial do Brasil. Boa Leitura a todos!

 

De maneira geral, D. Bertrand  acredita que na Natureza tudo é monárquico e hierárquico, desde a composição do sistema solar, com o sol sendo o astro-rei, até um átomo, que seria comandado por um núcleo-rei; ir de encontro a tal perspectiva  leva à desordem, aos caos. Por isso, a sociedade deve se adequar à própria lógica natural do mundo. A monarquia seria a forma mais harmoniosa de governo porque ela trabalha a favor da criação de Deus; todas as coisas criadas por Ele têm um princípio monárquico. Isto seria um fato, uma realidade e não uma utopia, como é a república e outras formas de governo.

 

Ao olhar para a sociedade, o herdeiro de D.Pedro II acredita que há vários problemas que devem ser resolvidos. O primeiro deles é a família e o casamento, pois Deus fez o homem e a mulher, Adão e Eva,  e toda configuração contrária a tais preceitos, como a homossexualidade,  seria contrário à lei divina. Homossexuais , portanto, não devem ter os mesmos direitos dos heterossexuais.  Na célula da família, defende que ela assemelha-se a uma monarquia: o pai é rei, a mãe a rainha e os filhos são herdeiros. Ainda no que tange à família, o príncipe é contrário  a lei do divórcio, pois é um ato incoerente com as práticas religiosas cristãs católicas.

 

O catolicismo de Bertrand toca em questões sociais importantes. Acredita que a família, a sociedade, como instituições sociais paraestatais, devem ter prioridade sobre a educação. Considera que a existência do Ministério da Educação é um erro; a educação deve vir dos pais, sendo um direito natural. “Quem vai responder a educação da criança diante de Deus são os pais”; é algo inegociável. O Estado tem a obrigação de distanciar-se do “sagrado direito de os pais educarem seus filhos.”

 

Ao falar do atual Papa, acredita existir um movimento de dessacralização da Igreja, por considerar que há uma tentativa de adaptação da Igreja ao mundo e não o contrário. O príncipe vê com maus olhos a entrada  de mulçumanos na Europa, pois isso tem introjetado um multiculturalismo que destrói as identidades e tradições dos países europeus e, consequentemente, da cultura cristã. Segundo ele, imigrantes vêm causando enormes danos financeiros aos países. O multiculturalismo é imposto pelas Nações Unidas, e esta deveria chegar ao fim.  O príncipe elogia o atual presidente, Jair Bolsonaro, por não corroborar com o pacto a favor da imigração, pois seria um custo alto para o Brasil.

 

No entanto, D. Bertrand não condena a miscigenação que ocorreu historicamente no Brasil, pois o carisma, a afetividade do brasileiro, segundo ele, foi a conjunção orgânica dos povos que aqui se encontraram, sem que algum povo tenha imposto sua cultura nativa. Mas ele crítica o que chama de multiculturalismo, por tentar  desconfigurar as  tradições seculares e as práticas conservadoras, salutares para o país.

 

No que diz respeito à política, a República é uma aberração social, porque rema contra a maré, em desconformidade a Natureza. Ao falar do golpe dos militares de 1889, afirma que o país andou para trás, criou uma desordem - porque tentou imitar os EUA - que gerou uma quantidade de derrubadas de governos, mudanças constitucionais e muitos  impeachments. Após o fim da Monarquia, o Brasil viveu instabilidade atrás de instabilidade, uma espécie de castigo de Deus contra a queda do Rei. Os brasileiros vêm pagando a conta pelas desestabilizações políticas ao longo do século. A restauração da monarquia garantiria a unidade, estabilidade e continuidade política.

 

D. Bertrand fez questão de  elogiar os índices de Desenvolvimento Humano e Social nas monarquias: os sete primeiros países no ranking  são monarquistas [1]. Cidadãos que vivem em monarquias não querem repúblicas, segundo pesquisas realizadas nos últimos anos.

 

Ele acredita que o brasileiro é monarquista, e anseia pela Restauração. Na configuração de um retorno à Monarquia, o modelo deve ser o mesmo do reinado de D. Pedro II, com algumas adaptações atuais, mas com o padrão dos Três Poderes, como uma monarquia parlamentar, sendo o executivo o primeiro ministro, e o Rei o chefe de Estado com o poder Moderador, tal como na Constituição de 1824. A monarquia, outrora, teria salvado o país das divisões e frações territoriais, como aconteceu nos países hispânicos. A Independência do Brasil, como foi feito, uma passagem de bastão familiar, de D. João a D. Pedro I, impediu guerras civis e grandes acirramentos, mantendo a unidade política, social, territorial e psicológica. E, nesse sentido, tudo isso teria contribuído para a manutenção de uma consciência de identidade nacional em todos os cantos do país.
 

Por fim, o herdeiro imperial acredita que Bolsonaro, com seu viés conservador, pode melhorar o país, mas, mesmo assim, conflitos, rivalidades políticas e partidárias, por cargos e interesses financeiros, não desaparecerão.

 

Deixem o comentário de vocês, opinem, e quem sabe eu faço um  texto crítico levantando algumas questões.  

 

 

Até a próxima!!!

 

 

Link do site oficial da Casa Imperial do Brasil https://www.monarquia.org.br/

 

[1] Segundo os dados da PNUD Brasil, os sete primeiros países são: Noruega, Austrália, Suiça, Dinamarca, Países Baixos, Alemanha e Irlanda. A única exceção à monarquia é a Alemanha. O primeiro país republicano na lista é o EUA, na oitava colocação. 

 

Link da imagem: https://pipocamoderna.com.br/2017/11/amazon-estaria-planejando-uma-serie-baseada-em-o-senhor-dos-aneis/

 

 

 

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