ANGÚSTIAS DE VIDA NOS ENCONTROS COM A MORTE

Flávio Rocha de Deus




Às vezes, como a maioria dos adolescentes tristes, ou entediados, ou que conhecem um pouco sobre filosofia, ou todas as alternativas anteriores ao mesmo tempo, encontro-me refletindo sobre a existência. Sua possível gratuidade, a angústia de seu incontestável fim, e, consequentemente, o que fazer até que ele chegue.


Na história da humanidade acredito que existem dois questionamentos metafísicos que nos acompanham desde o nosso primeiro ancestral, que inocentemente olhou para o céu, se perguntou “o que isso significa?” e, assustado, com o silêncio do universo em relação a sua pergunta, decidiu responder a sí mesmo e fingir que foi o universo que lhe deu a resposta. E se foi o universo que disse, quem seria ele para discordar? Parece bobo, mas acontece. Deus e o pós-morte são essas questões. Um que supostamente nos diria como chegamos e como andamos nessa estrada que é a vida e outro que nos revela para onde vamos depois que virarmos a esquina escura que é a morte.


Deus foi um bom pai para uma espécie reflexiva que necessita de significados e que tinha acabado de sair das fraudas, mas uma hora a criança cresce. Mais cedo ou mais tarde os filhos se revoltam, ou saem de casa, ou o trocam por outro pai: religioso, político ou pessoal. A penúltima alternativa é a mais provável. A quantidade de vezes que a morte sofreu uma idealização talvez se equipare ao número de estrelas que encontramos no céu noturno. Um eterno mistério, que com o tempo cansou. Igual a um amigo que por tanto falar de um segredo, faz com que ele se torne desinteressante. Promessas não duram para sempre, e o que são as realidades pós-morte se não uma promessa que nunca podemos ver ser cumprida. Mas uma coisa ainda é válida na morte: o medo.