Estamos adormecidos! Uma aproximação entre Platão e Marx



O objetivo deste breve ensaio é mostrar, de uma forma um pouco ousada, que existe algum nível de aproximação entre Platão e Marx, a saber: que estamos adormecidos. A causa desse sono é a ilusão da dualidade. Ótima leitura!


Para Platão, o ser humano está em uma verdadeira matrix; ou seja, vive com a ilusão de que esse mundo é o único que existe. Na verdade nada aqui é real, pois há algo inexoravelmente superior, longe dos sentidos e da experiência ordinária. Tal realidade está além das aparências, distante da vulgaridade dos hábitos e tolas rotinas.


O mundo superior e supra sensível é a verdadeira origem de todas as coisas! É um plano sem dualidade e sem contradição. Só há unidade! A pluralidade é uma ilusão ou adormecimento, incapaz de revelar a Verdade Eterna, oculta aos olhos leigos. No fundo o que está por trás de tudo é o Ser; sua própria natureza é a essência de todas as coisas. É dever do ser humano reencontrar a sua contraparte original, sua sublime identidade Una. É essa tomada de consciência que liberta o homem dos grilhões e da ignorância que o prende, alcançando a maestria da liberdade.


É somente o despertar interior que ultrapassa diferenças, futilidades, vãs paixões, passatempos que colonizam a reflexão. A trilha verdadeira é o encontro com o belo em si, o humano genérico. Na ontologia de Platão, a única coisa que realmente é eterna e imutável, que ultrapassa esta dimensão permeada de mudanças, é a consciência, anterior à própria vida. E acordar para essa realidade é afastar-se de falsas divisões.