Vivemos a Era mais solitária da História

April 8, 2019

 

 

Leitores, A Era mais solitária da História O processo de expansão da individualidade vem carregando um lado muito negativo: o abalo das relações sociais. O gradual colapso de formas tradicionais, dos contatos sociais, com interações face a face, estão sendo substituídas por uma geração privada de sociabilidade.

 

Um dos sintomas do isolamento é a degradação da cidadania: há pouco espaço para projetos em comum, ações políticas que estejam no horizonte. Obviamente não é geral, mas os níveis de despolitização da sociedade atual são, sim, preocupantes. Lutar por ideais, manifestar pautas em conjunto, em reuniões e encontros presenciais, é cada vez mais uma exceção, principalmente em sociedades absorvidas pela apologia ao consumismo ou estados autoritários que minam a liberdade.

 

Outro aspecto preocupante está no campo da educação. Novas formas de ensino, no qual não se incentiva aulas presenciais, é a falência da integração face a face entre professor e estudantes. As discussões em sala, a construção de novas ideias, o compartilhamento às dificuldades de aprendizado, muitas vezes só superadas na interação, e a própria dinâmica de crescimento pessoal e coletivo, é ceifada pelo aprendizado privatista do lar. Infelizmente, um triste processo de hiperindividualização do aprendizado que em nada ajuda para o fortalecimento da convivência.

 

Em sociedades com algum avanço tecnológico, vemos, no cotidiano, a relação de isolamento também na família. Os meios de comunicação têm afastado pais, filhos e parentes; almoçar e jantar juntos, que é um processo importante de integração familiar, é coisa do passado. Cada um vai para seu canto, com seu smartphone, notebook ou Tv em seus cômodos particulares.

 

Por outro lado, muitas pessoas não desejam constituir família. A competição, a obrigação social de uma vida material sofisticada, tem levado homens e mulheres a desistirem de terem filhos e parceiros(as), o que incide na solidão e no desapego a qualquer laço mais afetivo e permanente. Observar o fenômeno da relação entre humano e máquina no filme Her, de Spike Jonze ou no documentário Dark Net, atualmente na Netflix, é impressionante o nível de isolamento que as pessoas tem se submetido para evitar lidar com contrariedades, dificuldades e paradoxos, comuns na vida offline. No mundo online, se apegam a tudo que lhes convém, e descartam os inconvenientes.

 

Em decorrência de alguns acontecimentos sociais, principalmente a violência urbana, as pessoas também evitam sair de casa e preferem viver no mundo dos serviços de streamings, games, novelas, salas virtuais. Assustadoramente, o isolamento social atrofiou as interações, tornando os encontros presenciais (confraternizações, esportes, idas ao parque, cinema, teatro) cada vez mais raros. Estes comportamentos podem levar a solidão, gerando sintomas psíquicos graves como depressão, ansiedade, melancolia, vícios (pornografia, games), fobias (por exemplo, a nomophobia) e ao suicídio.

 

Pelos motivos citados no texto, a pergunta que fica é: estamos regredindo? O homo sapiens está se tornando antissocial? É urgente restabelecer o vínculo entre pessoas, observar o substrato humano antes das vestes. Incentivar a convivência. Este será o maior desafio do século XXI.

 

Fonte da imagem: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/revista/2018/03/18/interna_revista_correio,666601/refens-de-pornografia-contam-como-a-compulsao-transtornou-suas-vidas.shtml

 

 

 

 

 

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