A solidão estampada na cor da pele

Por Dayane Tosta

Muito se fala sobre a solidão da mulher negra. Mas esse muito ainda é bem pouco quando se percebe a cruel realidade de abandono afetivo que vivem milhares de mulheres pretas que carregam na cor da pele o peso de não vivenciarem relacionamentos estáveis. A história de vida das meninas e mulheres negras é permeada desde muito cedo pela solidão, são seres condenados à rejeição - de forma velada ou não - por causa da cor da sua pele, do formato do seu nariz, do seu cabelo e de tantas outras características étnicas que fazem com que milhões de garotas odeiem a única casa que permanentemente irá abrigar as suas almas, isto é: o próprio corpo.


A tese de Ana Claudia Lemos Pacheco intitulada: “Branca p casar, mulata p F, negra p trabalhar”: escolhas afetivas e significados de solidão entre mulheres negras em Salvador, Bahia[1], conclui que as escolhas afetivas tanto de homens negros e brancos relegam as mulheres negras à condição de pessoas solitárias, além disso, no Brasil, ainda segundo este estudo, as representações sociais das mulheres negras sempre estiveram ligadas ao “servilismo profissional e sexual”.


Não é à toa, que a realidade da solidão da mulher negra ora se apresenta por meio da hipersexualização e fetichismo do corpo dessas mulheres - como se este existisse única e exclusivamente para proporcionar prazer para os homens, em geral brancos - ora a autoestima delas é prejudicada pela total falta de representatividade na mídia. Torna-se cada vez mais urgente mostrarmos que a solidão de uma mulher que carrega no corpo os traços da “carne mais barata do mercado[2]” não é um mero acaso, é um dos resultados mais cruéis do racismo.


O fenômeno da solidão da mulher negra pode ser compreendido como uma condição imposta pela sociedade racista que elegeu o tipo europ