Opinião: o fim do arrastão na Quarta-feira de Cinzas

September 17, 2019

Fonte: G1

 

 

No dia 11 de setembro do corrente ano, a Câmara Municipal de Salvador aprovou projeto de lei do vereador Henrique Carballal (PV) que proíbe o tradicional “arrastão” durante a Quarta-Feira de Cinzas no circuito Barra-Ondina. O texto seguiu para análise do prefeito ACM Neto, que tem até 15 dias para sancionar ou vetar.

 

A motivação foi religiosa: o evento invade o período da Quaresma. É uma velha reivindicação da Igreja Católica, que sempre considerou um desrespeito a utilização desta data para continuidade dos festejos de Momo. Carballal acha “uma afronta” haver essa manifestação depois de um extenso calendário de festas durante todo o verão. O texto estabelece que a partir das 5 da manhã do dia inicial da Quaresma não poderá haver mais nenhum bloco de rua, nem trio elétrico desfilando. A Arquidiocese de Salvador divulgou uma nota apoiando a decisão legislativa.

 

O arrastão foi idealizado por Carlinhos Brown – à frente da Timbalada na época - no fim da década de 1990 com o intuito de encerrar a folia e permitir que pessoas que trabalharam durante os dias de festa pudessem ter a oportunidade de brincar por algumas horas. De lá para cá, diversos artistas participaram do desfile, que se tornou uma tradição. Porém, observo que nos últimos anos tem havido dificuldades em manter a presença e continuidade dela. Isso porque muitos deles vem realizando shows em diversas cidades do país, esvaziando a grade programática da terça, o derradeiro dia. Como ocorre visibilidade em rede nacional, alguns se esforçam para garantir a exibição. O suposto enfraquecimento do evento pode surtir reviravoltas diante do seu provável fim. Daniela Mercury, Marcio Vitor, e Léo Santana foram alguns dos artistas que mostraram contrariedade à sua extinção definitiva.

 

Não considero que o arrastão desrespeite o início da Quaresma. O feriado proporcionado pelo carnaval se encerra ao meio-dia da Quarta de Cinzas, o que indica ser uma extensão da terça. O desfile, portanto, acontece ainda nesse prazo e dura pouco mais de três horas, um período exíguo. A justificativa para sua criação foi entreter todos aqueles que dedicam sua atividade a atender os foliões, como vendedores ambulantes, catadores de material reciclável, cordeiros e outros. Nesse mesmo dia, a Polícia Militar oferece uma feijoada a seus membros. É um dia dedicado a quem prestou serviço durante a folia. Um encerramento digno. A Campanha da Fraternidade é lançada na mesma data, horas depois. Pergunto: onde está o desacato a fé?

 

Ao que parece, o autor do projeto não atendeu ao lobby da Igreja. Sua atitude tende a se aproximar de um eleitor mais conservador, visto que pautas desse segmento vem ganhando força na agenda política. O prefeito tem a opinião de que este assunto poderia ter um debate mais amplo, envolvendo sociedade e promotores do evento. O arrastão vinha perdendo força, acredito, e poderia desaparecer aos poucos. O projeto pode vir a reforçar a importância dele. Por enquanto, ainda não há pedidos de veto. Porém, sempre há expectativas para o empenho em manobrar a ausência do arrastão. Veremos.

 

FONTE:

https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2019/09/11/projeto-de-lei-que-proibe-tradicional-arrastao-da-quarta-de-cinzas-no-carnaval-de-salvador-e-aprovado.ghtml

 

https://www.metropoles.com/entretenimento/politica-cultural/camara-de-salvador-proibe-o-arrastao-da-quarta-de-cinzas

 

 

 

 

 

 

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