As Cidades Invisíveis. Viajando em imaginação e memória.

Escrito por Italo Calvino em 1972, as cidades invisíveis não é apenas uma viagem através das letras para os relatos do veneziano Marco Polo ao imperador Kublai Khan, mas também um convite para imaginar a imaginação de seus protagonistas.


Esses objetos dentro de outros objetos: a imaginação dentro da imaginação, a cidade dentro da cidade, a realidade dentro da realidade; são o que pulsam na obra. Eles têm na interligação das coisas sem uma origem única e primeira, ou seja, no rizoma de Deleuze e Guattari, a ordem no caos.


Essa organização concomitantemente caótica e ordenada, exposta em vários tipos de cidades da trama, as quais ao mesmo tempo se assemelham e se diferenciam, engendram o paradigma do devir temporal e espacial para o leitor.


Também, o livro de Calvino, nos remete a questões sociais pungentes como o estrangeiro metaforizado, caso explicitado no capítulo: As cidades e o nome 2, em que Marco Polo fala sobre a cidade de Leandra, nela vivem duas espécies que a protegem, os penates e os lares, os primeiros acompanham as pessoas que levam a cidade consigo ao redor do mundo ( que é o caso dos turistas, por exemplo). Já os lares são fixos nas cidades, os nativos. Situação que causa embates entre os dois devido as diferenças regionais e culturais.


Outra questão exposta no livro são os espelhos de cidade, os quais estão nos capítulos das cidades e os mortos e das cidades e o céu, remetendo a uma mimese platônica de cópia e também ao paradigma de cidade ideal, a qual o filosofo grego se dispôs a escrever.


A memória também é algo que está evidente no jogo entre passado e futuro, algo que perpassa todo o caminho do livro. Marco Polo ao visitar Adelma, percebe que todos os habitantes pareciam com alguém do seu conhecimento passado. Ou seja, sempre há algo ou alguém para lembrar por onde a gente passar.


A memória também está expressada na cidade de Maurília, onde os cartões postais criam uma atmosfera saudosista ao mesmo tempo em que se deseja que a metrópole evolua mais do que já tem o feito. Nos remetendo a máxima de que no passado as coisas eram melhores, entretanto, na prática os habitantes desejam tecnologias mais avançadas e um melhor bem estra social advindo dessas.


Interessante pensar não apenas na temporalidade das narrativas. Mas na temporalidade do próprio texto. É um livro que descreve um tempo remoto, fala de cidades futuras que já existiam quando a obra foi escrita, tal como Nova York e São Francisco, ou seja, a cidade imaginária que toma forma na realidade extraliterária. Sendo assim, fica implícito ao leitor imaginar um futuro em aberto na obra.


As cidades invisíveis diante de toda a sua proposta de devir e rizoma, convida o leitor a viagens só concebidas através do dispositivo do texto. A imaginar o futuro e o passado a partir do momento presente da leitura. Criando uma experiencia literária que concentra espaço, tempo e movimento.


Ilustração de Evandro Ziggiatti Monteiro


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