A complexidade das nossas relações HUMANAS

“Os jornais, as notícias, procedem por redundância, pelo fato de nos dizerem o que é ‘necessário’ pensar, reter, esperar, etc.”

- Deleuze e Guatarri, Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. P. 12.


Sempre que te perguntarem: “classe social ou gênero foi criado ou inventado?, você pode perguntar:” toda vez que você olha para algum lugar do passado, você não o retoma?”.


Retomar. Estamos sempre retomando nossas memórias, nosso passado e o passado “em si”. Se hoje criamos uma nova categoria analítica ou um novo conceito, poderemos “retomar” o passado mais uma vez, sob novos olhos. Prefiro, inclusive, chamar de uma nova percepção (é a isso que tenho me dedicado nos últimos meses e textos: estudar a formação da percepção e suas nuances).


Trago alguns exemplos: o grande filósofo alemão, Hegel, odiado por Schopenhauer, retomou o que ele chamou de espírito do tempo para nos trazer, digamos, qual a lógica que se manifestava no tempo e, no final, na formação do Estado Moderno. Marx e Engels, seus rivais e sucessores, olharam de novo pro “passado” e dele extraíram algumas condições básicas de existências as quais eles chamaram de modos de produção e, a partir disso, chegaram à conclusão de que sempre existiu certo “conflito de classes”. A pergunta então seria: classes sociais existiam antes de Marx e Engels? Sim e não. Mas não importa. Não é isso que interessa. Como no provérbio chinês que diz que “o sábio aponta a lua, mas o idiota olha para o dedo que aponta”, devemos olhar para a lua, neste caso, para o que devemos realmente observar.

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