Feminismos plurais e o mínimo que o homem deve fazer

March 8, 2020

 

 

 

Definir o que é mulher restringe a gama de possibilidades do que as mulheres são e podem ser. Afinal, existem mulheres em todas as classes sociais. Mulheres que se identificam com as mais diversas sexualidades. Mulheres de diversas raças e que seguem diversos credos ou não seguem credo algum. Mulheres gordas, mulheres dentro de um padrão corporal, mulheres magras. Mulheres cis, trans, não binarias -esse aspecto inclusive é extremamente polemico já que algumas pessoas consideram mulher apenas pela genitália, algo que abrirá para um debate complexo que não tocarei nesse texto- Mulheres divergentes entre elas, mas também iguais. Mulheres que criam femininos plurais!

 

As lutas sociais das mulheres não se resumem ao gênero, mas é a partir dele que as mulheres encontram um ponto em comum.  Os feminismos brancos e negros irão se distanciar em muitos aspectos já que o racismo pode provocar por exemplo a solidão da mulher negra, algo que uma mulher branca não sofrerá por conta da cor.

Dentro dos próprios feminismos as questões vão se afunilando como o colorismo no feminismo negro e a pauta da classe social no feminismo branco e negro, além das diferenças intrínsecas entre esses dois feminismos. Isso só para exemplificar já que existem vários tipos de feminismos.

 

É fato que tem muito para se discutir dentro dos grupos feministas e mais ainda hegemonicamente. Apesar disso é necessário pensar a grande questão: o papel do homem nessa pauta -também com suas nuances- afinal, se não existisse o homem não precisaríamos de feminismo.

 

O topo da pirâmide da opressão é do homem branco, heterossexual, classe média/média alta. É nele que se baseiam as opressões, o que não quer dizer que todo homem com esse perfil será um opressor, mas terá grande potencial em ser. O homem por si só, através de vários momentos da cultura, principalmente por conta da bíblia e do alcorão, acredita que tem direitos sobre o corpo da mulher, claro que isso é uma falácia. Porém, a opressão é real quando pensamos nos índices de assédio, de violência doméstica e de feminicídio.

 

A mulher não se sente segura para sair sozinha porque sabe que pode encontrar um homem em sua frente e ser assediada de alguma forma. Esse pode inclusive não ser o macho opressor em potencial de lá de cima, mas é homem. Sair na rua com uma determinada roupa ainda é uma questão, mesmo sabendo que mulheres usando burcas já foram estupradas. Isso para falar das opressões diárias, da vulnerabilidade do corpo feminino dentro de uma sociedade machista.

 

Os homens desconstruídos de verdade -ou os que estão tentando ser- irão tentar driblar essa opressão. Pensarão no mal que o machismo pode fazer a mulher, os traumas que pode causar. Irão evitar além dessas questões que envolve o corpo, a violência psicológica. Não irão interromper a fala de uma mulher ou tentarão explicar para uma mulher algo que elas mesmas já sabem. Lutarão pela igualdade salarial e pelo direito da mulher fazer o que quiser com o seu corpo, abortar. Lutarão pela quantidade de mulheres e homens em locais de poder como na política e na mídia.

 

Também um homem desconstruído ou para algumas pessoas um homem feminista ou que apoie a causa feminista – nomenclaturas que também são polemicas nos feminismos plurais- irão se permitir a serem sensíveis, a sentirem dor, a brincarem de boneca se quiserem, porque dentro da nossa cultura tudo que é do feminino é ruim. Irão evitar xingamentos como “filha da puta” ou “viado”, poque a homofobia também está ligada ao machismo, apesar de homens gays também agirem de forma machista como falar que sentem nojo de mulher.  

 

Os homens que querem uma igualdade de gênero irão brigar com os amigos quando os virem assediando uma mulher, até mesmo denunciar um homem que provoque essas situações. Um homem deve se meter na briga de um outro homem com a companheira e claro, além da vigilância com o outro é necessário sempre que se retorne para si. Afinal, as relações sociais se engendram no eu e no outro sempre.

 

Obviamente que esse cenário não irá mudar da noite para o dia. Mas com a lei maria da penha, uma educação sexual que privilegie os debates de gênero e com as redes sociais, o aspecto crítico tende a se redimensionar na nossa sociedade e os discursos vão se refinando ainda mais. Porém, nem tudo são flores já que o próprio presidente do Brasil claramente se mostra como um machista e esse discurso é comprado por muitos cidadãos de bem de meia tigela, mas há quem rebata isso e enquanto tiver resistência haverá existência.

 

 

 

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Para entender mais, algumas sugestões de autoras:

 

Angela Davis

 

Bell Hooks

 

Chimamanda Adichie

 

Djamila Ribeiro

 

Judith Butler

 

Fonte da imagem de capa: https://www.ameliapt.com.br/wp-content/uploads/2014/11/logo-marcha-feminista.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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