O filme A Trincheira Infinita e isolamento social

 

Nesse momento, passamos por um período de quarentena – pelo menos uma parte de nós. Enclausurados, tentamos nos posicionar em meio a um caos viral que nos assola. Cada um reage de uma forma: dormem, aproveitam para colocar a leitura em dia, fazem cursos on line, lives, planos para o futuro, colocam em prática seus dotes artísticos adormecidos... Uns tentam acompanhar os acontecimentos em tempo real, outros se afastam do noticiário para não ficar bitolado demais. O isolamento forçado é algo novo para muita gente e lidar com isso pode trazer transtornos e sentimentos confusos em meio à reclusão. Porém, a experiência está muito longe de ser dramática quando nos deparamos com histórias de pessoas que, forçadamente, tiveram que passar tempos intermináveis sem colocar o pé na rua. Falo do retiro pessoal exposto no drama espanhol “A Trincheira Infinita”, em cartaz no Netflix.

 

O filme se inicia em 1936, em um lugarejo da Província da Andaluzia, quando estoura a Guerra Civil Espanhola. A Guarda Nacional do ditador Francisco Franco persegue opositores revoltosos pelo país. Higinio é um deles. Tendo que se esconder dos soldados e de um vizinho caguete, ele se refugia em um esconderijo em sua própria residência. A partir de então, o protagonista passa grande parte do tempo exilado, obrigado a ver o mundo através de frestas. Recebendo apoio e ajuda da sua esposa Rosa, ele passa a viver o impasse entre ser descoberto e continuar em plena autorreclusão. Enquanto a vida acontece lá fora, Higinio passa a viver com as perspectivas de sua visão de mundo, dentro daquele ambiente claustrofóbico.

 

Por essa linhas, muitos podem imaginar que o filme é monótono e entediante. Ledo engano. A película impressiona ao captar o olhar do espectador através da ótica do personagem e presenciar com ele as atividades que ocorrem na casa. Rosa vive de costura e recebe seus clientes. Os fatos não deixam de ocorrer. Porém, não é um filme “fácil” de acompanhar e em dado momento pode ser angustiante toda a trama.

 

O longa é realmente longo:  duas horas e meia de duração. O resultado, a meu ver, é válido. É mais uma boa surpresa do cinema espanhol. A Espanha vem se destacando ultimamente pela qualidade de suas obras. Estão sendo bem elogiados os recém-lançados “A Casa” e “O Poço” – este último também sintetizado em um texto no Soteroprosa. Sem falar das séries “La Casa de Papel”, “Vis a Vis”, e “Elite”, sempre bem indicadas. Isso sem falar da filmografia do prestigiado cineasta Pedro Almodóvar.

 

Depois de apreciar “A Trincheira Infinita” reflita sobre sua condição de isolado social. A quarentena em si que estamos passando é fichinha. Ainda mais quando uma informação bombástica é revelada após a última cena do filme, sobre aqueles tempos duros no interior da Espanha.

 

 

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