E os bancos, vão quebrar?

* Por Francisco Assis

Nas crises econômicas ao longo da história do capitalismo a falência de bancos sempre representou uma constante. Foi assim durante a Grande Depressão de 1929 quando houve a quebra da bolsa de Nova York e com a Crise de 2008, com a depreciação do mercado imobiliário. Mas e agora, durante a crise do novo coronavírus, os bancos irão quebrar? Antes de responder a essa pergunta é preciso observar, de modo bastante breve, o papel do Estado durante as crises econômicas de 1929 e 2008.


A recuperação norte-americana após os danos causados pela Crise de 1929 ocorreu por intermédio da intervenção do Estado na economia, tendo como principal idealizador o economista britânico John Maynard Keynes. Em sua obra “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, ele analisou, dentre outros aspectos, as três fontes de vazamento presentes na maneira como o dinheiro flui das empresas para o público sob a forma de salário, rendas, remunerações, juros e lucros, para em seguida retornar às empresas quando o público adquirisse bens e serviços oferecidos por essas empresas. Esse processo foi denominado por ele de “fluxo-circular”.


Keynes analisou as três formas de vazamento inerentes ao fluxo: poupança, importações e impostos. O que elas têm em comum é que o dinheiro direcionado para qualquer uma delas não retorna para as empresas, por isso ele propôs: a) a possibilidade dos empresários contraírem empréstimos nos bancos onde estivessem depositadas as poupanças com o objetivo de financiar os investimentos em bens de capital (bens que servem para a produção de outros bens, tais como máquinas e equipamentos); b) que as importações fossem contrabalançadas pelas exportações; e c) que o governo utilizasse os impostos para financiar a obtenção de bens e serviços.


Ocorre que esse processo não seria ininterrupto e não se realizaria de forma equilibrada. Em virtude desse fato, a proposta de Keynes foi que no momento em que a poupança excedesse os investimentos, o governo recolheria esse excedente através de empréstimos e investiria o dinheiro em projetos de utilidade social, como a construção de escolas, hospitais e parques. Dessa forma, maiores recursos seriam injetados no fluxo de gastos, criando as condições para o que ele chamou de “pleno emprego”, situação em que todos os que desejarem trabalhar pelo salário corrente terão condições de obter um emprego.


Assim, o Estado interveio na economia realizando diversas políticas sociais (“Welfare State”). As transformações sociais foram realizadas através do “New Deal”, programa econômico adotado em 1933 pelo então presidente norte-americano Franklin Roosevelt, que representou na prática os ensinamentos de Keynes. Após esse período a economia foi reestabelecida e os bancos voltaram às suas atividades normais. É neste contexto que diversas organizações econômicas foram criadas, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a Organização Internacional do Comércio (OIC).