• Carlos Henrique Cardoso

A série Greenleaf: entre o pecado e a fé.


Sabemos que uma plataforma Streaming contém uma porção de séries e lançamentos toda semana, o que indica que tem muita coisa escondida nas “prateleiras” dessa locadora virtual, sobressaindo novidades e produções bem ranqueadas. Grande parte dos usuários são influenciados pelas mais “tops” e comentadas. No entanto, sigo na tentativa de rastrear algo mais oculto nos cafundós da Netflix. Acabei encontrando a série norte-americana “Greenleaf”. Vou falar um pouco dela.


O seriado foi produzido pelo canal OWN, que pertence à apresentadora e milionária Oprah Winfrey (que participa da série, no papel de proprietária de um clube de jazz) e conta com quatro temporadas. O elenco é todo protagonizado por atores negros (brancos são apenas figurantes ou papéis sem grande importância). Aborda a família Greenleaf, que administra um gigantesco templo religioso que abriga uma denominação cristã conhecida como Calvário. O retorno de um membro da família para o sepultamento de um parente próximo, dá ensejo a toda trama.


É aí que o passado bate com força à porta dos Greenleaf, trazendo à tona adultério, abuso de menores, homossexualidade, sonegação de impostos, suicídio, incesto, e tudo o que uma comunidade pautada na fé não deveria elencar. Sem dizer que ambição, ganância, e sede de poder caminham juntos quando todos moram na mesma mansão e tentam de toda maneira mostrar grandes virtudes, o que deixa descoberto seus numerosos defeitos.


A aparição de novos personagens é frequente, temperando os conflitos, discórdias, guerra para angariar novos fiéis, e mantendo viva a chama de acontecimentos misteriosos. Pecado e fé parecem fazer parte de um mesmo jogo, onde todos parecem buscar o autoconhecimento, mas não com o intuito de enobrecer o espírito, mas para calcular o quanto pode corromper ainda mais, manipular, persuadir quem for preciso para se dar bem ou manter uma sujeira enterrada em alguma passagem da vida.


Chama atenção que em algum momento aparece a “igreja para brancos”, dando ênfase a uma ligeira discussão racial, já que a Calvário congrega apenas negros. Não há como não haver reflexão por parte de quem assiste, pois na crença e no louvor de um Deus unificador, haja distinção étnica para o salvacionismo. Esse breve momento sociológico, por enquanto, é pouco aprofundado. Um ponto de destaque, são as cantorias que ocorrem no interior desses templos, com um grande coral, realizando um espetáculo gospel tão presente nos cultos da população cristã negra dos EUA. Vários nomes de sucesso na música, foram descobertos cantando em cultos protestantes: Whitney Houston, Aretha Franklin, Al Green, Little Richards, e Ray Charles, foram alguns deles.


Apesar de ser muito boa, dificilmente será uma série que ocupe espaço no coração e no topo das preferidas de quem é fã desse tipo de produção. Falta aquele elemento enigmático, ou aquela densidade psicológica angustiante que surge para surpreender a audiência. Porém, haverá uma quinta temporada, e tudo está em aberto. A temporada mais recente termina de uma forma que sugere reviravoltas imprevistas.


Quem se interessar por “Greenleaf” procurando algum “ensinamento” ou os difíceis caminhos até chegar ao ser devidamente espiritualizado, pode esquecer. É mais uma produção que mostra os opróbrios das relações humanas, só que dessa vez em um templo evangélico. A fé aparece sim, mas é encoberta pelo mar de lama que teima banhar aqueles que acham que podem deixar os males guardados em algum baú enterrado em grandes profundidades.








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