O filme A Gente se Vê Ontem e o desejo em mudar o destino.

 

Todos nós temos ou sentimos saudade de algo, alguns até glorificam o passado. Vivemos momentos tensos, o qual desejamos partir logo para o futuro (incerto), ou até mesmo outros tempos da infância ou adolescência, fugindo desse presente claustrofóbico. Alguns gostariam de rever antigos amores, lugares que visitou, festas que curtiu, férias que aproveitou, ou até mesmo praticar um ato heroico, como ir pra Wuhan, epicentro do coronavírus, e evitar que a galera tome sopa de morcego. Diversos filmes, desenhos e seriados tiveram a volta no tempo como tema, e sempre ensinaram que a coisa nem sempre sai como deveria. É o que tenta mostrar o simpático “A gente se vê ontem”, um filme básico, feito com pouco orçamento, uma típica sessão da tarde de luxo.

 

Produzido por Spike Lee, a película conta com elenco todo formado por atores negros. Gira em torno de dois amigos adolescentes, a garota-prodígio C.J. e o metido a gaiato Sebastian. C.J. conserta computadores e tem conhecimento apurado em física e tecnologia. Moram em um bairro pobre de uma grande metrópole, o que traz a curiosidade do desenvolvimento de uma máquina do tempo em um ambiente nada característico, como geralmente esperamos de uma invenção desse porte: tudo é desenvolvido numa simples garagem, transformada num pequeno e modesto laboratório e o experimento tem formato de uma mochila escolar, o que torna tudo muito singelo. Os testes são realizados para um retorno ao passado recente, como o dia anterior. Acontece que nesse período, o irmão mais velho de C.J. é assassinado durante uma abordagem policial, suspeito de ter realizado assalto a um estabelecimento. A garota e seu amigo tentam então impedir essa morte retornando para os minutos anteriores ao ocorrido, a fim de evitar que todo o cenário se desenvolva.

 

O filme tem pitadas de comédia, mas a coisa vai ficando dramática, uma vez que voltar ao passado para modificá-lo pode trazer consequências sérias. Essa lição sempre está em voga quando tentam, a todo custo, consertar um fato já deflagrado, mostrando que controlar o destino é uma faca de dois gumes.

 

O longa não deixa de focar na difícil convivência de jovens negros, habitantes de guetos e vielas, com a polícia. Apesar de não haver o propósito de levar esse imbróglio a fundo, esse conflito não passa batido, ainda mais se tratando de uma produção que conta com o dedo de Spike Lee, que não deixa barato em se atentar para a tensão racial que ora ou outra vem à tona na sociedade estadunidense.

 

Outro ponto positivo que deixa marcas no filme é a trilha sonora, composta de ótimo reggae. Quem for fã do estilo, vai se deliciar com canções pra lá de inspiradas que sonorizam algumas passagens. Alguns podem até acender um.........gosto pelo ritmo ouvindo a suave “You Don’t Love Me (No, No, No)” e a hipnótica “Ring The Alarm”.

 

“A gente se vê ontem” está disponível na Netflix. Está longe de ser um blockbuster ou um clássico, entretanto, se tiver a fim de algo mais despretensioso com uma pipoquinha e um guaraná, é bastante recomendável.

 

 

 

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