Uma réplica ao debate: O poço é pessimista ou não?



Gostaria de remeter a leitora para o vídeo no canal do Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=DvjoPNDQZLs&t=37s) que deu início a esse debate. Propondo uma síntese entre as três falas apresentadas no vídeo sobre a questão inicial: essência humana, problema histórico e o messianismo (a criança é uma utopia ou um delírio?).


Os elementos acima podem sugerir alternativas positivas? Acredito que sim e, por isso, alinho-me mais com uma das falas, a de Jacqueline Gama.


Quando assisti o Poço, pensei, “não, não vou ouvir a crítica ‘não tem nada demais’; tem mais coisa aí, não tem só o ‘óbvio!’” (palavra tão repetida em falas do filme). Minha sugestão, inclusive, é que o “óbvio” é quase que uma mensagem subliminar no filme – que te faz “ler” o filme como se isso fosse uma indicação de leitura, um índice que dá o sentido a ser buscado no filme (o que tem de óbvio a seguir?), pois, depois que assistimos, tudo se torna “óbvio” em nossa leitura.


Assisti uma segunda vez, quando o pessoal do Soteroprosa propôs um vídeo para comentar o filme. De fato, eu estava cético quanto ao que falar sobre o filme (medo de cair no “óbvio”). Foi então que, no passar do dia, refletindo, escrevendo, percebi outra possibilidade de interpretação: o messianismo do filme (óbvio) operaria um deslocamento na figura masculina do messias (que, na obviedade seria o papel do protagonista), para uma figura feminina, a da criança que aparece no final. Ora, ao pensar assim, o óbvio foi “chacoalhado” e o filme precisou ser “lido” noutra ótica.