• Tulani Nascimento

Arte pra quê?

Sem pelos na língua, mas com pelos em partes nas quais até, muitas amigas, amigos e familiares, criticam. Opa, estou falando das axilas, mas, não tô nem aí !Isso é um papo para outro dia ... Tulipa Negra está de volta para soltar o verbo: - no governo atual, não faz a maior diferença quem está no posto de liderança na secretária da cultura.


Para esse governo a arte é perigosa. Porque a arte e a cultura em suas mais diversas formas de manifestação ampliam a consciência física e mental, facilita o autoconhecimento, autoconfiança, resgata a autoestima. Nos conecta com as emoções, com nossa essência vital.


A arte desde a antiguidade é um instrumento de reflexão e transformação. Anotou, ou quer mais? Porque ainda tem mais. Por atuar intensamente, tanto no desenvolvimento cognitivo quanto conativo, auxilia na construção do senso crítico e na capacidade de interpretação e no raciocínio não linear.


Tá aí o porquê que para esse governo Fakenews a arte e a cultura são suas maiores inimigas. Para que serve um povo com autoestima e senso crítico? Conscientes dos seus direitos, investigando a fundo, questionando mamadeiras de piroca e tendo uma relação mais harmoniosa com a espiritualidade, uma relação mais saudável com as religiões?


E sim, existe um plano de extermínio contra os criativos. Não nos enganemos, não existe e não vai existir um projeto para apoiar os artistas e o mercado cultural nem agora, que vivemos um período de exceção, nem depois do Covid-19, se este governo continuar. A estratégia é esvaziar, nos cansar, precarizar, adoecer.


A estratégia é não ter um representante para que não possamos dialogar. Vamos ver um entra e sai na Secretária da Cultura e dessa maneira não teremos nem com quem dialogar. Essa é a estratégia, a do desmonte. Acabar com tudo. O Brasil está à venda. E a ideia é deixar o país aos frangalhos.


Fiz pós-graduação em administração cultural na Espanha e pude verificar o quanto estávamos avançados em políticas culturais e no fazer criativo. Dei palestras na Espanha e no México para que o modelo cultural brasileiro servisse de exemplo. Sim, é isso que estou dizendo. O Brasil servindo como exemplo do bem fazer. É certo que estávamos longe do ideal, ainda tínhamos que melhorar muito, estávamos precisando de muitos ajustes, mas estávamos seguindo em frente.


Nosso cinema, plural e diverso, estava ganhando as telas do mundo inteiro, criando um mercado sólido e próspero, gerando emprego e riqueza. Agora estamos com a verba do Fundo Setorial Audiovisual, o FSA, parada há um ano. Para quem não sabe, o FSA se retroalimenta. Os investimentos vêm do próprio mercado, sendo abastecido principalmente pela Codecine, imposto cobrado do próprio setor e que retorna como forma de investimento. Para onde será que esse dinheiro está indo? No ano passado a cifra de R$ 724 milhões do fundo que não foram investidos no cinema Brasileiro está nos cofres do Governo Federal.


Está mais do que claro que não existe o interesse em investir em uma arte que liberta e transforma, pois como disse o ator e diretor Wagner Moura, “é natural nesse mundo medíocre que os artistas sejam atacados, arte para quê?”


Por ora, só nos resta criar nossas redes de apoio e de organização, nossa contracultura. Porque eles passaram. E nós passarinhos.



Referências:

http://obviousmag.org/blog_do_pensador/2016/o-poder-da-arte.html

https://tododia.com.br/cultura/verba-do-fundo-do-audiovisual-esta-parada-ha-7-meses/

https://www.macunaima.com.br/vivaarteviva/6-beneficios-da-arte-que-podem-mudar-a-sua-maneira-de-ver-o-mundo/


Referência de Imagem: Design realizado por Tulipa Negra com imagem Canvas.



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