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A "MAMADA" DE ANITTA. O que há de errado nisso?



No último dia 26 de janeiro, vazou uma cena do que seria um clipe da cantora Anitta, onde ela estava agachada fazendo sexo oral em um homem, um suposto ator ou modelo. Alguém teria filmado e... pimba! Viralizou. Esse videoclipe, teria ainda a aparição dela em várias comunidades e num terreiro de candomblé. Não sei qual é a música, nem do tema que ela trata. A questão é que muita gente ficou horrorizada, considerando que ela passou dos limites. Outros, provavelmente fãs e seguidores, teriam achado inusitado e bastante ousado da parte dela. E aí? É pra chocar?


Anitta se envolve em tantas polêmicas que essas querelas todas em que ela está metida fazem muito mais sucesso que seus funks, e ela lucra mais com a publicidade gerada que as letras que entoa (uma música dela chegou a ser a mais ouvida do Spotfy, porém, essa notícia é mais conhecida que a própria canção escutada, que nem sei qual é...). Assim, ela vai faturando e sua carreira musical acaba ficando em segundo plano. Ser personagem polemista aqui no Brasil virou profissão... Anitta aproveita suas controvérsias para fazer marketing, atuar de acordo com o que o mercado se alimenta. E esse tipo de situação tá andando mais rápido que a língua da vizinha.


Mas vamos lá pro conteúdo da cena... Provavelmente é o registro audiovisual de mais um som pra bombar nos bailes funk e paredões país afora. Há décadas, o funk nacional tem letras sugestivas ou escrachadas (“martela o martelão”, “agora sou piranha e ninguém vai me segurar”, “Dako é bom”, entre outras) e suas intérpretes femininas tomam a voz ativa para mostrar atitudes e comandar os atos eróticos contidos nas letras. Ao que parece, as composições de Anitta não seriam tão pornográficas assim, mas a batida e a atitude “mulher cachorra” estão marcadas em sua trajetória artística. Se a proposta desse estilo musical é mexer a raba e tomar as rédeas do coito, nada mais apropriado que surgir “dando uma mamada” numa viela escura, após um baile daqueles. E esse tipo de peripécia não é proveniente de um periguetinha abusada típica. Fazer sexo em local público é fetiche antigo. Um casal foi flagrado fazendo coisa pior que mostrado no clipe de Anitta numa rua de Morro de São Paulo. Eram funkeiros ou fãs de Anitta por acaso?


Muitos ficaram abismados criticando Anitta pela pouca vergonha, porém devemos nos perguntar que sociedade vem consumindo esse tipo de conteúdo. Como mencionei parágrafos atrás, isso gera discussão, debates, e demanda por mais ocasiões “boquetesianas” como essa. Que juventude absorve isso? A mesma que levanta muitas dúvidas sobre o futuro, sem perspectiva de emprego formal como seus pais e avós tem ou tinham, trabalhando vendendo ou entregando por aplicativos, durante vários dias, sem benefícios previdenciários, que vivem num mundo virtual, líquido e onde seguem influencers que ganham fortunas ensinando a se maquiar ou jogar videogame. Que se desestimulam a estudar, provocando evasão escolar ou convivendo com colegas que amanhã podem sair atirando em todo mundo. Cujos pais mesmo passando dificuldades, tiveram esperança num ex-presidente fanfarrão e preguiçoso (no mínimo). É a juventude de um país onde parcelas da população se definem como “cidadãos de bem” e depreda patrimônio público, pede intervenção militar porque não aceita que seu candidato tenha perdido a eleição e tapam os olhos pra garimpo ilegal que leva toda uma população a penúrias subumanas. É essa sociedade que quer condenar uma artista por um boquete?


Anitta é empresária, define seus caminhos na vida, ganha o dinheiro dela seguindo normas do mercado, mostrou certa consciência política que seus detratores jamais demonstraram e grava o clipe que ela quiser. Soube que a comunidade onde a polêmica cena foi realizada se manifestou criticando Anitta. Considero que isso é um sinal para impor limites, que a liberdade de fazer o que quer tem freios, e esse “não” comunitário até pode gerar campanhas positivas pros jovens daquela área. É pegar o limão e fazer uma limonada. Enquanto isso, aguardemos as próximas confusões protagonizadas por alguma celebridade ou subcelebridade nacional. Nisso, temos mais estrelas que a seleção brasileira.


FONTE:




Imagem: Blog Marcos Montinely



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