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AS CONDIÇÕES DE POSSIBILIDADE PARA A TRANSVALORAÇÃO DE TODOS OS VALORES: Uma possibilidade de leitura

Este texto pretende desenvolver uma análise em torno do pensamento de Nietzsche sobre As condições de Possibilidade para a Transvaloração de Todos os Valores, quais sejam a Morte de Deus, o Além-do-Homem e o Eterno Retorno.


Pensamos que a intenção de Nietzsche é elaborar uma moral como substituição à designação tradicional, compreendida como moral socrático-platônica-cristã.


Podemos afirmar que Nietzsche não foi um pensador sistemático, mas um pensador de problemas. Sendo um pensador de problemas que sempre destaca a importância do caráter perspectivo de nossas avaliações, Nietzsche é ambíguo e muitas vezes contraditório, o que não desmerece seu pensamento, mas o define e o destaca. No “Humano, Demasiado Humano” ele assim diz: “Todos sabem, hoje em dia, que conseguir suportar a contradição é um elevado sinal de cultura(...)”. A possibilidade de diversos caminhos que nos sugerem o texto nitzscheano é tematizada pela metáfora do labirinto, espaço das contradições e da desorientação. Neste sentido, importa pensar com Nietzsche e para além dele, o que exige, necessariamente de seu pensamento que é fragmentário e dispersivo.


Tendo feito estas observações iniciais, pensamos que o elemento estruturante da derradeira filosofia de Nietzsche, que é o vetor de compreensão do sentido de sua obra, se dá fundamentalmente a partir de As Condições de Possibilidade para a Transvaloração de Todos os Valores. Analisemos as três condições de possibilidade: A Morte de Deus, o Além-do-homem e o Eterno Retorno.


Entendendo o valor como o ponto de vista das condições de conservação e aumento pelo que se refere a formações complexas de duração relativa da vida no interior do devir, Nietzsche identifica Deus como valor ao mundo supra-sensível. Aqui então ressaltamos o anúncio da Morte de Deus. Este anúncio é feito ao louco em plena praça do mercado, acontecimento que pretende transvalorar o espaço da antiga ágora grega e as alusões ao horizonte, à terra e ao sol que intensificam o debate, relembram a teoria platônica das idéias que, como supremos valores, se desvalorizam. É exatamente na praça do mercado que Zaratustra vai experimentar, mais tarde, o seu fracasso. Entendemos que o anúncio da Morte de deus, ora é entendido como deicídio, ora como assassinato.


É aqui que a Transvaloração é uma alteração radical do modo de valorar, sendo a instauração precisa de um âmbito, pois esse princípio já não pode ser o mundo supra-sensível, agora sem vida. Por isso, o niilismo que aponta a inversão assim entendida buscará o que tem mais vida. ”Vede”, afirma Zaratustra, eu vos ensino o Ubermensch! O Ubermensch é o sentido da terra, o sentido da vida. Se Zaratustra suprime o fardo do transcendente, ele impõe, no entanto, um fardo mais árduo, através do qual, por dever de superação, caminha-se em direção ao Além-do-Homem.

Assim, através da inspiração moral do Além-do-Homem, o Eterno Retorno traduz a conduta ativa por excelência, na qual o mundo tem valor e sentido e onde a ação moral pode dar valor e sentido, não além, mas no Aqui e no Agora.


Entendemos que a condição de possibilidade para a Transvaloração de Todos os Valores se situa na dimensão ética do Eterno Retorno, ensinamento que conduz á superação do desejo de um além metafísico e do rancor contra o passar do tempo.


Independente de qualquer coisa, tudo há de retornar, desde os grandes acontecimentos, até o menor deles. E estando dispostos a assumir esta posição, muita clara, em Nietzsche, parece-nos uma perspectiva bem-sucedida afirmar a dimensão do Amor fati, como resultado do ensinamento do Eterno Retorno, ensinamento este que se nos apresenta como a derradeira condição para a Transvaloração de Todos os Valores.


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Imagens retiradas do banco de imagens gratuito Pexels.com

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