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Bateu uma onda forte: a salvação pela cannabis!



E se existisse uma planta que pudesse controlar sintomas de ansiedade, depressão, Parkinson, dor crônica, diabetes, hipertensão, processos inflamatórios, neuroprotetora, antimicróbica, anticonvulsiva, que abrisse ou diminuísse o apetite, relaxasse, melhorasse o humor, fosse paliativa para outros tratamento como os de câncer e melhorasse sintomas de diversas doenças crônicas?


Ela existe, porém não é legalizada no Brasil. A cannabis possui vários canabinoides, alguns com efeitos psicotrópicos como o THC, substância que dá a chamada “onda” por alterar os sentidos do usuários e que tem sido usada para o tratamento de Alzheimer, por exemplo. Já o CBD é neuroprotetor, mesma propriedade que o lítio (utilizado como regulador de humor) e ajuda nos processos inflamatórios, principalmente de quem tem doença crônica. Além deles existem diversos outros canabinoides que atuam no sistema endocanabinóide e pode ser utilizado em beneficio da melhora da qualidade de vida do ser humano.


A maconha, em determinados ambientes de classe média já é vista como um cigarrinho do bem, lembro aqui que fumar qualquer substância faz mal para o pulmão e o sistema respiratório, mas sem dúvida fumar a planta é muito menos nocivo a saúde do que fumar aquele cigarro legalizado que vende em qualquer posto de gasolina, afinal eles tem muito mais substâncias tóxicas do que a erva do bem.


Entretanto, se para uns ela é a salvação, para outros acender um baseado pode ser motivo de flagrante policial ou pior: assassinato, isso sem dúvida dependerá da cor, da classe e do onde se fuma. Uma discussão extensa que cabe em outro texto, porque hoje quero comemorar um avanço para o usa da maconha medicinal.


Já é sabido que os benefícios do CBD estão sendo colhidos, o óleo pode ser importado ou adquirido por meio de associações ou ainda comprado em algumas farmácias , desde que por meio de prescrição médica e autorização da anvisa. Porém em qualquer dos casos, o óleo não sai por menos de 150 reais, excetuando os casos de óleos feitos de forma caseira que pode não ser seguro uma vez que não tem certificação, portanto não se sabe, na maioria desses casos de ilegalidade, a quantidade de CBD e THC e nem a qualidade da planta.

Imagina se você fosse comprar uma medicação sem a posologia (a quantidade de mg da substância) e muito menos sem o nome delas? É isso que acontece no mercado ilegal dos óleos medicinais de cannabis, ainda correndo o risco de ser falsificado. Porém, esse pode ser o único meio de diversas pessoas conseguirem o tratamento para si ou seus entes queridos, afinal quem hoje tem 150 reais por mês para dar em uma medicação, no Brasil?


Indo em direção ao bem estar das famílias e na contramão do preconceito, essa semana, em Salvador foi dado um próximo passo para a legalização, ao menos da maconha medicinal. Foi aprovada na câmara Municipal de Salvador o Projeto de Lei (PL) 172/2021, criado pelo vereador André Fraga, visando a distribuição municipal de cannabis medicinal através do Sistema Único de Saúde (SUS).


Se autorizado pelo prefeito, teremos mais uma jurisprudência para o uso da planta, além de várias outras que o STF expediu nesse ano de 2022, inclusive, diversas pessoas já conseguiram autorização para plantar e/ou extrair o óleo para fins de saúde. Ademais outras localidades também tem avançado nessa problemática. O estado de Pernambuco, por exemplo, está com um PL que prevê o cultivo e o uso da ganja para fins medicinais.


Assim, a cada dia que passa o cultivo de cannabis se torna democrático. Mas por que ainda é uma burocracia? Além dos preconceitos contra a planta, legalizar de vez a cannabis medicinal pode tirar o poder de grandes industrias farmacêuticas e coloca-la nas mãos dos novos investidores, por conseguinte quem já está no mercado precisaria correr para entregar um produto mais barato e de melhor qualidade.


Também é possível dizer que legalizar a maconha medicinal de uma forma ampla pode e vai abrir precedente para a legalização da maconha recreativa, assim o poder dos carteis ou dos chefes do trafico será diminuído e passado a ser convertido em imposto para o Estado brasileiro. Nessa onda legalize, o consumidor terá acesso a uma planta sem mofos, nem insetos, saberá a espécie e as substâncias do produto, bem mais seguro, quem diria né?


É fato que a planta quando consumida recreativamente tem potencial de vicio, mas e o cigarro? E o álcool? Esse último além de provocar cirrose e várias outras doenças é glamourizado e tem até propaganda. Você critica seu amigo que te chama pra tomar uma? Ou seu primo que bebe 10 latinhas no churrasco da família? Aposto que não e se duvidar ainda vai junto.


Então por que criticar o usuário de maconha que só quer curtir a lombra, sem prejudicar o próximo? E nem venha me dizer que a maconha deixa a pessoa violenta. Nunca vi maconheiro procurando briga, mas pra não dizer que estou defendo a classe, pode até acontecer, no entanto, quantas brigas e mortes você já viu com pessoas embriagadas? Por essa lógica do vicio e de seus efeitos colaterais, se a maconha é ilegal, o álcool e o cigarro também deveriam ser.


O ponto que quero chegar aqui depois de trazer essas informações é que a maconha tem suas qualidades e legalizar só vai abrir um mercado que beneficiará milhares de pessoas e famílias. Mas se hoje não podemos contar com a legalização ampla que ela pelo menos abarque quem precisa de seus canabinoides para sobreviver e ter uma boa qualidade de vida. Como diz o ditado: a diferença entre o veneno e o remédio é a dose.


Notícia referência: G1. Câmara Municipal de Salvador aprova projeto que cria política para distribuição de cannabis medicinal através do SUS. <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2022/12/14/camara-municipal-de-salvador-aprova-projeto-que-cria-politica-para-distribuicao-de-cannabis-medicinal-atraves-do-sus.ghtml> Visto em: 17 dez. 2022.


Imagem de capa: GUILLEM SARTORIO. Via Carta Capital. <https://www.cartacapital.com.br/opiniao/a-dura-luta-de-pais-e-maes-por-cannabidiol-para-seus-filhos/> Visto em: 17 dez. 2022.


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