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COMO PASSEI DE EMPREENDER PARA ENCHER A BARRIGA Á EMPREENDER PARA ENCHER A ALMA (AOS 35!)



Imagem produzida pela autora.



*Por Camila Alemany




É tão gostoso quando a gente está feliz empreendendo. E tão lamentável quando você empreende e a sensação é péssima, nada dá certo, não é mesmo?


Particularmente neste momento da minha vida, estou numa fase profissional muito feliz, sentindo uma plena conexão com quem sou e com meu trabalho. É uma sensação boa, gostosa, leve. Sinto-me orgulhosa ao ver meu sonho se materializando: finalmente consigo trabalhar 100% como ilustradora/empreendedora.


Mas nem sempre foi assim. Muito pelo contrário. Eu sempre me questiono por que não tive coragem de trabalhar antes com o que realmente me faz feliz, porque não encarei a ilustração como uma profissão real, possível, tangível. Um empreendimento rentável e lucrativo.


Antes de trabalhar como ilustradora, empreendi duas vezes. Meu primeiro empreendimento foi uma marca de biquínis artesanais que durou quase uma década. Na segunda tentativa tive um brechó que deu certo… até a pandemia. Ambos os empreendimentos enchiam minha barriga, mas não a minha alma. Ser bem-sucedida era minha meta. Meta que roubou muitos anos, energia e momentos que não voltarão, em troca do “sucesso”, um sucesso efímero e raso.


Olhando com sinceridade para trás, percebo que empreendia guiada pela razão e não pela paixão. E o fato de não estar apaixonada pelo meu trabalho criava um desgaste dentro de mim, algo não funcionava, a semente estava, criava raiz mas não dava fruto.


Meus empreendimentos começavam bem mas aos pouco iam perdendo seu brilho natural e precisava de muitos holofotes externos (custosos e cansativos) para que o negócio desse certo.


Mergulhando com sinceridade dentro de mim, entendi que o que realmente faltava era confiança plena no meu produto, porque no fundo, no fundo, sabia que o que estava vendendo não era o melhor que eu tinha para dar. Hoje entendo que o melhor que eu posso oferecer é a minha criatividade, as ilustrações que traduzem o melhor dos meus clientes e meus sentimentos e valores que são plasmados nos meus trabalhos autorais.


Mas, o que foi que me permitiu parar de revender coisas para vender meus produtos e serviços como ilustradora? O que permitiu criar um empreendimento que não enchesse apenas a minha barriga, mas também a minha alma?


Sem dúvida o autoconhecimento forçado que vivenciei na pandemia foi a chave que abriu muitas portas dentro de mim. Questionar minha trajetória, mergulhar em meus saberes, conectar com o que me apaixonava quando criança, olhar com sinceridade, deixando atrás imposições sociais e muitas crenças limitantes, foram fundamentais neste percurso.


Mas sempre surgia o alarme dentro de mim: e se não consigo vender meus produtos e meus serviços? E se não conseguisse ganhar dinheiro suficiente sendo ilustradora?


Quanto mais refletia, mais entendia que a base para vender bem (e muito!) era a CONFIANÇA. Confiança em mim, em meu produto, em meu serviço.


E como consegui criar essa confiança? Primeiramente aprimorei minha técnica até chegar a um resultado que me deixava orgulhosa. Logo, fui atrás de histórias de mulheres inspiradoras que começaram do zero e em pouco tempo colheram frutos. Em paralelo fiz um trabalho das minhas crenças limitantes associadas ao trabalho como artista (aqui temos uma longa lista composta de muita escrita, meditação guiada, podcast, visualização e muito, muito mais)


Após percorrer esse processo, de aproximadamente dois anos, decidi ouvir -finalmente- a minha intuição e “matar” outras fontes de ingressos como a fotografia e o design. Foi fácil? Não. Foi difícil e desafiador, mas valeu a pena. Hoje posso contar com orgulho que já trabalhei para clientes dentro e fora do Brasil. E que minha maior vitória é que eles sempre voltam.


E não estou aqui apenas para te contar sobre os frutos da semente que plantei alguns anos atrás, estou aqui para dividir com você que, no fundo, quando existe confiança plena no nosso produto e/ou serviço todos podemos vender muito. E viver dos nossos empreendimentos sem ser um drama, muito pelo contrário.


A grande notícia é que todos e todas somos excelentes vendedores. Lembra de como você falou com paixão sobre esse restaurante maravilhoso que visitou recentemente? Ou desse hidratante ótimo que ganhou de presente? Lembra de como você recomendou para todas as suas amigas sem pudor nem vergonha esses produtos?


Isso é vender! É amar um produto ou serviço e difundir ele para as pessoas que você tem certeza poderão se encantar com ele, igual que você.


Compartilho por aqui 4 atributos que tenho trabalhado internamente para vender meus produtos e serviços,dentro e fora da internet, e tem dado certo:


1.PERSEVERANÇA. É imprescindível ter uma meta clara e desfrutar do percurso até chegar nela. Avançar um passo de cada vez, praticando o foco diariamente e assumindo que o caminho não sempre é fácil, mas que é preciso continuar, apesar do erro e, avançar, apesar do medo.


2.FELICIDADE E HONESTIDADE. É muito importante entender e comunicar os benefícios reais que são oferecidos para o cliente. Transmitir por que esse produto o serviço fará proporcionará felicidade nele, obviamente sempre com total honestidade, de maneira positiva e sem transmitir necessidade. Ninguém quer comprar por pressão ou pena e sim por prazer.


3.ACREDITAR. Acreditar no que você faz é a base para transmitir confiança total no que você vende. Se você ainda não sente essa confiança, aprimore seu produto ou serviço até que você acredite nele com todo o coração. Hoje a moeda é a confiança. Compramos de quem confiamos e vendemos bem quando acreditamos cegamente no que oferecemos.


4.AÇÃO. De nada adianta ter o melhor produto ou serviço do mundo se ele está apenas no papel. É fundamental criar um plano de ação para apresentar seu produto ao máximo de pessoas, que, você acredite, precisem dele. Movimento é a chave.


Tenho certeza que você também pode empreender e viver do que realmente te faz feliz. Mas para isso o primeiro passo é questionar, mergulhar, retirar essas crenças péssimas, que não nos permitem acreditar. Que nos ancoram na escassez e na infelicidade.


É um processo lento e muitas vezes doloroso, sobretudo quando vemos o tempo perdido, que não volta mais. Mas, sabe? Em vez de olhar para trás meu convite é que você olhe para frente. E, acima de tudo, olhe, com atenção, dentro de você. Saiba que no fundo de você moram as respostas, elas são as suas sementes. Cuide delas, como foco e perseverança, para colher os frutos e , assim, ter uma jornada empreendendo mais feliz.


Com amor,

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* Camila Alemany é ilustradora e empreendedora. Contato: Instagram. @camilalemany


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1 Comment

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carlosobsbahia
carlosobsbahia
May 05, 2023

Refleti bastante sobre ter renda e ser bem-sucedido,que é quando vc tem rentabilidade casada com o prazer de fazer o que realmente

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