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ENCONTRO DE TITÃS




É fácil atribuir ao Tom Jobim e Elis Regina o termo “titãs”, afinal quando o assunto é música ambos sempre se revelaram extraordinários e é exatamente por isso que os bastidores do encontro de 1974 rendeu o documentário “Elis & Tom- Só tinha que ser com você.” que está sendo exibido em muitas salas de cinema no Brasil.


Em minha casa, lembro da minha mãe sempre cantarolar “(...) são as águas de março fechando o verão” ao perceber pela janela a chuva que marca o início de uma nova estação, assim como recordo que na minha adolescência a faixa que mais gostava de tentar o canto no Karaokê era justamente a canção “Só tinha que ser com você.” Lembro-me também de que ao ler os versos de Vinicius de Moraes fui em busca da sua biografia e lá estava o Tom Jobim também marcando presença na minha memória afetiva. Esses são os fatos que me levaram ao cinema em plena terça-feira (eu e mais 07 pessoas na sessão das 15:00) Não podia esperar o final de semana. Queria conferir logo.


E o resultado?


Sem decepções. É emocionante ver dois gigantes da música nas telonas revelando uma crítica contundente aos nossos tempos: A cultura está em crise! E ao fazer essa afirmação não falo aqui de políticas públicas, mas do ser humano. A humanidade anda preguiçosa para fazer algo elaborado. É cada vez mais comum a tal canção mercadológica que é envolvida em a ritmo que nos faz até dançar, mas na verdade, quando prestamos atenção na letra ficamos até envergonhados. Um vídeo de “dancinha” é mais acessado que um livro.


O longa não é perfeito. Primeiramente porque acaba e o segundo motivo talvez esteja na fala do César Camargo Mariano que ao se referir ao Tom diz “via aquela coisa branca maravilhosa” diante disso, a minha alma negra ficou incomodada, no entanto, é o pianista e arranjador musical que estabelece o equilíbrio entre as potências chamadas “Elis” e “Tom.” As divergências entre os intérpretes perpassam questões de “estrelismo”, mas dizia a respeito à tratativa que ambos davam a música e isso é simples de entender. Você pode ser formado na mesma Universidade e inclusive ler as mesmas obras que o seu colega, mas como lida/ exerce a profissão é completamente diferente. Entretanto, é o César Mariano que surge como o equilíbrio dessa produção antológica. Calmo, humilde e sábio é ele que, na verdade, auxilia o mundo a usufruir desse belo encontro que resultou em 14 canções.


Pouco a pouco as imagens do documentário revelam a mudança de olhar do Tom para Elis e o César e a transformação do olhar de Elis para com o Tom e daí “havia de ser para você, senão era mais uma dor, senão não seria o amor” e assim, a minha velha alma de cronista inevitavelmente reflete que além da crítica rasgada a forma de fazer música no Brasil entendi que o registro traz uma verdade importante: as verdadeiras conexões acontecem. Ela deixa a vida mais leve e no perfeito “só tinha de ser com você.”, mas para isso precisamos estar abertos e dispostos ao duro trabalho, porque quando “É pau, é pedra, é o fim do caminho” vamos ter lucidez de persistir no caminhar.


As falas dos herdeiros abrilhantam a obra. Beth Jobim e João Marcelo Bôscoli traduz poesia, ao falar dos seus genitores, porém se você for assistir presta atenção no Hélio Delmiro e depois troca uma ideia comigo!? Enfim... Roberto de Oliveira guardou imagens por quase 50 anos! E se fossem guardados registros teus pela mesma quantidade de tempo teríamos motivo para bodas de ouro? Seja lá qual for a resposta a música “fotografia "do supracitado álbum já revela:

“(...) E há sempre uma canção para contar Aquela velha história de um desejo Que todas as canções têm pra contar.”

PS. Persista construindo histórias.

37 visualizações1 comentário

1件のコメント

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carlosobsbahia
carlosobsbahia
2023年10月26日

De fato,a elaboração artística perdeu o viço. Tudo o que é fácil e simplista está sendo aclamado,mas são em todos os setores. É só observar em quais candidatos parte da população "super inteligente" vota.

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