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FUTEBOL FEMININO É VALORIZADO?





Sabendo de toda comoção no Brasil em época de Copa do Mundo, considerado paixão nacional, o futebol ainda é um esporte majoritariamente ocupado por homens que recebem posições de destaque, com mais incentivos e investimentos. É perceptível a desigualdade de gênero alimentada pelo machismo que considera as mulheres menos capazes na prática desse esporte; o reflexo disso é a diferença gigantesca diferença entre os salários.


De acordo com dados da revista Infomoney, Marta, que foi eleita seis vezes pela FIFA melhor jogadora do mundo, ganha anualmente menos de 1% do salário de Neymar que ainda não conquistou a láurea.


Ao longo da história brasileira, o futebol que já foi proibido para negros, pobres e mulheres, representava a partir desse recorte de gênero, raça e classe social, as mazelas de nossa construção nacional elitista. Um exemplo disso é o Decreto n° 3.199, pelo então presidente Getúlio Vargas, em 14 de Abril de 1941, que, em seu artigo 54 proibia expressamente as práticas desportivas consideradas incompatíveis com as condições de sua natureza.


A justificativa da época era que as mulheres deixariam de ser femininas ao agirem de maneira mais bruta por conta do futebol. O tipo ideal da mulher era a frágil, doce, sensível e obediente que se manteria com o vestido limpos e pernas cruzadas. Nesse sentido, o futebol feminino foi construído, no Brasil, a partir da resistência de mulheres corajosas que se negaram a obedecer este decreto machista e antidemocrático. Ainda bem que resistiram e hoje, apesar dos avanços lentos, as meninas podem almejar praticarem esse esporte de forma profissional.


Como bem disse a importante influenciadora intelectual norte-americana, Angela Davis, em uma de suas frases icônicas: “Não aceito mais as coisas que eu não posso mudar, estou mudando as coisas que eu não posso aceitar.” E assim foi e continua sendo ao longo da história do Brasil quando os grupos marginalizados decidem lutar e resistir às injustiças. Com o avançar dos anos, em 1979, o decreto cai e, em 1983, o futebol feminino é regulamentado no Brasil. Ainda com pouco incentivo e tendo que vencer diversas adversidades, inclusive usar as camisas do time masculino por não terem patrocinadores, as mulheres fizeram sua estreia na primeira copa feminina em 1991.


É válido lembrar que apenas em 2007 quando as brasileiras conquistaram o ouro nas Olimpíadas e o vice na Copa do Mundo, os incentivos e o interesse pelo futebol feminino cresceram, com o destaque do trio imbatível Marta, Formiga e Cristiane, os brasileiros conseguem enxergar a qualidade do futebol feminino que sempre existiu, mas foi escamoteada por conta dos problemas relatados anteriormente no texto.


Na última copa feminina, Marta fez um discurso emocionante para as meninas não desistirem do futebol, pois elas serão o futuro do futebol feminino no Brasil. Ontem, dia 24 de julho de 2023, o Brasil acompanhou na televisão aberta a estreia das mulheres na copa de futebol desse ano. Pela primeira vez, a exibição desses jogos está sendo feita em um canal aberto para o público e, além disso, os funcionários públicos ganharam um incentivo através da saída do experiente duas horas mais cedo para acompanharem as partidas. Ainda é pouco , mas é através desses pequenos avanços que caminhamos para as mulheres mostrarem que o lugar delas não será definido pelo machismo, afinal, todas as mulheres devem ter direito de ocuparem o lugar que quiserem.


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Referências:








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