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GERAÇÃO DOM QUIXOTE




Sei que poderia falar sobre os ataques a Israel, bem como seria apropriado esboçar a gloriosa notícia de um indígena na ABL ou do eclipse solar que será visível na maioria dos estados do nordeste, mas quero logo antecipar o domingo. Esta inclusive é uma boa pergunta: domingo será celebrado o quê? Como estou no clima de antecipação preciso logo lhe revelar que é dia de Dom Quixote. Ou melhor, é dia de uma geração a qual nomeio “Dom Quixote.”


O livro escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes relata os feitos de um ingênuo e fidalgo cavaleiro, Dom Quixote. Em meio à loucura o protagonista conta com o seu cavalo Rocinante e Sancho Pança- seu fiel amigo e escudeiro. Quer mais detalhes sobre a obra? Por favor, leia! Não se arrependerá. Já eu? Então, que tal um dia trocarmos ideias literárias sobre? O papel hoje desta crônica é gritar uma verdade: todo professor (a) é um Dom Quixote.


A educação não recebe o tratamento devido e isso todo mundo sabe. Entretanto, por que ainda existem professores? Claro que existem vários motivos. Porém, quero destacar aqueles professores que tentam acessar o aluno por mais que este demonstre já ter desistido de tudo. Direciono as minhas linhas para aqueles que anda com uma mochila, bolsa e ecobags pesadas de inventividade e muitas provas que invadiu o final de semana sem pedir licença. Abordo aqui aqueles docentes que possuem a total competência de serem médicos, advogados e juízes. No entanto, acha beleza em preparar outros para a vida. Sim! Não é tarefa docente a preparação para a jornada dessa confusa vida, entretanto se o aluno vem com uma carga emocional, o professor que é Dom Quixote ele escuta e auxiliar o aluno administrar a sua dor, seja escrevendo um poema ou se dedicando a algum esporte.


A insanidade do supracitado impulsiona o enredo e no ofício de lecionar também deixo claro que é preciso ser louco para dá a educação o movimento que ela merece. Tem dúvidas sobre isso? Pergunta então para qualquer professor o que foi preciso para ele executar um projeto. É preciso falar sobre a loucura que não é figurativa. Com facilidade é possível encontrar docentes que precisam de terapia. Precisam, mas não fazem. Uns por falta de tempo (filhos, namorado/marido, cachorro/gato, provas, aulas, alimentação, boletos, casa, etc.) e outros por ter um salário que usufruem não dá para custear. Vejo muitas matérias que sinalizam sobre o atraso na aprendizagem, no entanto, conto nos dedos aquelas que abordaram que o docente também foi afetado e que precisa urgentemente de atendimento. A loucura quixotesca é presente no persistir ensinar a uma geração de pais que ainda não entenderam o papel do professor. É óbvio que professor erra, contudo, mães e pais decidiram gritar com professores afirmando bravamente “Meu filho foi planejado, não fale assim com ele!”, “Olha! Eu desejo que faça a correção novamente. Eu sei que o meu filho é inteligente.” “Eu não admito este resultado.” e o recorrente “Você está perseguindo o meu filho (a)? Dessa forma é mesmo sobrenatural ler que alunos dão tapa em professora por conta de desafio na rede social? Um aluno jamais irá agredir professor se ele aprendeu que o seu mestre é alguém que merece respeito.


E será que preciso escrever um parágrafo falando da importância da gratidão? Acho que não. Afinal, ela saiu de moda e me parece que o professor quando faz algo é mais que a obrigação dele. Assim, decido falar sobre Sancho Pança. Não existe Quixote sem a presença de Pança e professores precisam de rede de apoio. Alguém para falar das experiências pedagógicas exitosas e daquelas que não deram certo. Apoiar é permitir ao outro o desabafo.


O cenário do professorado é árduo, pois no ato de lecionar não há romantismo, mas sempre existem aqueles que apesar de tudo, e na medida do impossível, como diria Torquato Neto, trafega os seus dias com paixão.


Tudo bem, até pode ser Que os dragões sejam moinhos de vento Tudo bem, seja o que for Seja por amor às causas perdidas Por amor às causas perdidas


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2 Comments

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carlosobsbahia
carlosobsbahia
Oct 13, 2023

Cada geração vindoura é um desafio para educadores, pois as tradições pedagógicas precisam sempre ser reinventadas, tornando a vida do professor ainda mais desafiadora.

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Deise Natividade
Deise Natividade
Oct 15, 2023
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Sim! Como sempre cai no colo do professor.

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