Música: instrumento de recordações



Tem um jogo do Bahia que ficou marcado na minha memória. Um jogo horroroso, diga-se de passagem. América- MG 1x1 Bahia pela primeira rodada na Série- B de 2015.


Para quem não entende de futebol, esse foi um início frustrante de um time que acabara de ser rebaixado para a segunda divisão. Ou seja, um cenário que nenhum torcedor de futebol gosta de ver seu time passar.


Mas, esse jogo vive na minha memória como de uma forma muito positiva! Virou um dos jogos que eu mais gosto de recordar.


No entanto, o motivo de eu gostar tanto desse jogo não tem nada a ver com futebol. Na verdade, há discrepância entre a partida pífia que o meu time fez e o resto da noite que o tornou tão especial.


Acontece que, após o fim do jogo, eu estava tão frustrado que eu fui dormir e deixei meu tio, que era o único de pé além de mim, assistindo televisão na sala.


Quando eu já pegava no sono, meu tio me chama para assistir um documentário sobre Chico Science & Nação Zumbi. Assim que acabou o filme, eu e meu tio fomos para a varanda do apartamento e começamos uma sessão só de músicas das antigas.


Entre Led Zeppelin, Raul Seixas, Guns 'N' Roses, Zé Ramalho, Metallica e Armandinho, eu e meu tio dávamos risadas e tomávamos algumas cervejas noite a dentro.


O que terminaria como uma noite frustrada pelo nosso time do coração, terminou como a noite onde fomos dormir as 3 da manhã depois do documentário sobre uma das maiores bandas do Brasil.


Posso dizer que tive uma sorte, pois por mais que essa noite tivesse sido especial para mim e para meu tio, era comum eu, ele e meu pai sentarmos após todos irem dormir e colocarmos o melhor da música para tocar.


E foram esses momentos, onde eu fui apresentado a icônica "Stairway to Heaven" do Led Zeppelin, onde aprendi sobre a ironia em "Só o Fim" do Camisa de Vênus e onde eu entendi a mágica e a beleza em "Chame Gente" de Armandinho, Dodô e Osmar, que me ensinaram muito do que eu sei sobre como tratar a música.


Afinal, por mais que fossemos três caras tomando nossas cervejas ouvindo música, a gente escolhia a dedo qual música iria ser tocada. A gente sabia como traduzir as músicas. Como interpreta-las e como criar o cenário onde ela "se passava".


Logo, o que eram momentos entre tio, pai e filho, tornava- se uma aula que iria moldar muito de como eu iria ver a musica dali em diante. Analisando letras e melodias. Desenvolvendo um respeito cada vez maior pela música em si.


Pois ali eu aprendi que a música não é apenas "fundo" para conversas e festas. Que a música é poesia. E deve ser tratada como tal. Mesmo quando o "tema" da canção não for algo considerado "sério".


Obviamente, esses momentos me incentivaram a sempre procurar ser um músico melhor, mas também me proporcionaram o real objetivo da música, que é melhorar seu dia e/ou marcar momentos. Trazer emoções que você nunca irá esquecer.


Felizmente, até hoje essa tradição ainda vive, mesmo que com menos frequência. No entanto é certo que se juntar eu, meu tio e meu pai, os vizinhos vão ouvir alguns clássicos. E bota "clássicos" nisso.


Imagem: <http://mundodemusicas.com/wp-content/uploads/2019/06/melhores-musicas-para-ouvir-no-carro.jpg>

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