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Meu sonho é ser imortal, meu amor




Caetano Veloso, nos idos dos anos 1960, chegou em Sampa meio perdido, sem conhecer direito aquela cidade, tanto que não havia para ele Rita Lee, a mais completa tradução de São Paulo. Naquele momento, ela estava colocando a capital paulista novamente no mapa musical, após Adoniran Barbosa, junto aos Mutantes. Partiu pra uma carreira solo tão ousada que se tornou a musa do rock nacional e compositora de brilhantes sucessos. Nesse dia 9 de maio de 2023, ela se tornou para sempre Santa Rita de Sampa, Padroeira de São Gererê, já que seu sonho era ser imortal, meu amor...


O Brasil ficou com mania dela, com tanta canção emitida nas rádios do país. Corre, corre, corre, uhuhuh... todos ouvindo aquela voz que desbravou a sexualidade feminina de um jeito diferente, com fartas doses de suave erotismo. Ao som de um bolero, numa banheira de espuma, na luz do luar, no escurinho do cinema, a levada da breca cantava um jeito mais leve de viver, com amor e picardia. Soberana total na arte de falar o quanto a mulher podia gozar, afinal, brincar de médico é melhor que boneca.


Hilária, fez uma participação especialíssima na novela “Vamp” interpretando uma vampira muito doida. No Saia Justa, programa da GNT, lá estavam quatro mulheres falando sobre vários assuntos, na maior seriedade. E Rita Lee tricotando o tempo todo(ahahahahahahahah). Tropicalista, serena, amorosa, lasciva, foi adotando uma postura mais madura com o chegar dos 50 anos. Um belo dia, resolveu mudar. Estava perto do fogo, como faziam os hippies; distinguindo amor e sexo; aconselhando a largar as drogas sendo educado, dizendo “não, obrigado”. A musa gravando bossa n’ roll, os Beatles em sua leveza, com a tranquilidade de quem hieroglifa o saber.


Com a internetização das informações, ficamos sem saber quando ela lançava algo novo (assim como outros artistas). Sei que fez muita falta nos últimos anos, estando meio sumida, quando nossa sociedade, pra variar, estava em guerra, cada vez mais down do High Society. Ela se foi, mas nada disso importa, vá abrir a porta pra você entrar no panteão de grandes artistas, Rita! E aqui ficaremos no chão, no mar, na lua, na poesia. Sem greve de fome, guerrilhas, motins, perdendo a cabeça...


Lança, menina, lança todo esse perfume! Não queremos nem luxo, nem lixo. Enquanto você vai roubar os anéis de Saturno, queremos cantar, se embriagar num coquetel de paixão, com mel e limão! Será que é possível descansar em paz no Reino de Afrodite? Milagrosa seja vossa festa!


Imagem: UOL

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Adorei o passei histórico/musical meu velho! Rita Lee conseguiu fazer algo que hoje em dia é muito difícil: ser única. Ela era ela, mesmo que quisesse em algum momento ser alguém. Viva Rita! Viva o Rock! Imagine a festa que acontecerá lá por cima? Parabéns pelo texto!

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