O BRASIL NÃO TROUXE O HEXA E A CULPA É DE NEYMAR!
- Carlos Henrique Cardoso

- 10 de jul.
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Atualizado: 3 de ago.

E mais um vez, sexta consecutiva, que a seleção não consegue ter sucesso e chegar na final de uma Copa do Mundo. Perdemos pra Noruega com aquela sensação de que não dava mesmo esse ano. A seleção até que não estava jogando mal, porém, aquela fome típica de quem quer avançar, mesmo aos trancos e barrancos, não ocorreu. Isso por conta de várias situações, que só ficam evidentes, quando a eliminação se concretiza. Durante a competição, tá todo mundo no embalo, e é isso mesmo, a esperança vai crescendo. Aí a coisa se complica, e os bastidores passam a ser revelados e os por quês do fracasso. E são muitos.
O esquema de concentração parecia rígido, mas os jogadores tinham um dia e meio de folga e passavam boa parte desse tempo com familiares, em imóveis alugados, nas proximidades do local de hospedagem. Pode ser até que isso seja comum com delegações de outros países, no entanto, o ex-jogador Edílson - pentacampeão em 2002 - afirmou numa entrevista à Globonews que, naquela copa, era proibido celular, havia apenas um pra falar com a família por alguns minutos, além de saídas muito curtas, dando a entender que a seleção de 2026 é muito “folgada”.
Entre a última copa e esta, a seleção teve quatro técnicos! Cada um com um estilo diferente. Fica difícil montar um padrão de jogo eficiente. Argentina, França, e Espanha, estão com os mesmos técnicos disputando várias competições, durante anos, com um elenco base configurado. Daí já dá pra notar nosso atraso tático. Um técnico estrangeiro, até então inédito em nossa história, mostra também o quanto nossos treinadores parecem estar em um grau abaixo em termos de preparação e eficiência. Houve também dois presidentes diferentes na CBF nesse período. Tá na cara que o planejamento estava totalmente comprometido.
Falando em presidente da CBF, o atual Samir Xaud, foi acusado de utilizar verbas da entidade para bancar viagens e estadias de luxo para suas diversas amantes!! Ou seja, o presidente de uma confederação de futebol estava acompanhando a seleção desviando recursos para supostas acompanhantes. Aí não dá… Investigações estão em curso, mas um caso desses já mela totalmente a atenção que um dirigente desses deveria ter com representantes de um país inteiro, ansiando por conquistas, a base de liderança, coordenação, e perseverança, e o sujeito no “vuco-vuco”. Difícil…
E a partida da derrota? Um festival de erros. Pênalti desperdiçado, gol perdido de cara, time recuado, assistindo o adversário trocar passes. Falta de vibração, de marcação, de atitude, um elenco sem brio nenhum. O clima não estava bom. Até que entrou o “menino Ney”. E o que estava ruim só piorou…
Não era jogo pra ele atuar. A participação dele era propícia para jogos em que a seleção tivesse domínio de bola, propondo o jogo, encurralando o adversário, com alguém que pudesse viabilizar jogadas que desestabilizassem o setor defensivo dos rivais. E aquela partida mostrava justamente o oposto. Mesmo com a seleção disputando uma copa de modo razoável, a seleção não tinha meia-armador, não tinha criatividade, não tinha ninguém com característica de segurar a bola no meio e ser o articulador principal de uma sequência de passes que culminasse numa finalização segura. Contra o Japão, foi o segundo tempo inteiro na base do “abafa”, alçando bolas na área pra ver se dava em alguma coisa. E aí entra Neymar num jogo que pedia marcação contínua, tentando roubar bolas, e arrancar com velocidade em transição pro ataque. E ele, definitivamente, era um jogador fora de ritmo e sem condições para esse trunfo. Raphinha e Paquetá - que eram os mais próximos dessa característica - estavam sem condições. Sobrou pra ele... Não vou dizer que a seleção perdeu única e exclusivamente porque ele estava na partida, não vou cravar isso. Pra mim, a vaca já estava atolada até os chifres, mas que sua presença dele não acrescentou nada, isso é.
Apesar disso, a seleção estava repleta de jogadores que tinham condições físicas de um gladiador romano e não deram em nada! Ibanhez, Douglas Santos, Igor Thiago, Éderson, não disseram pra que veio. E assim, vimos a Noruega fazer dois gols com o time sem chegada e sem convicção, deixando espaços a granel. No fim do jogo, Neymar mostrou sua total falta de maturidade: durante uma cobrança de penalidade, ficou falando gracinhas pro goleiro e após o gol, ainda ficou na provocação, ao invés de pegar a bola e tentar algum milagre. No fim, sentou no campo, chorou, e orou. Uma ceninha patética.
Diante tudo isso, eu indago: muitos não queriam Neymar na copa, seja por birra, seja por realmente reconhecer que faltava preparo e disposição pra ele. Correto. Mas tem uma questão aí que me deixa seguro em falar… como deixar Neymar ausente de uma eliminação vexatória dessas? Com folgas demais, futebol de menos, decisões equivocadas, um técnico estrangeiro que veio pra mudar a cara do nosso time e mergulhou em campanhas publicitárias, sendo moldado por nosso jeitinho, um presidente da CBF garanhão gastando as turras com amantes, e uma derrota no qual um mimadinho faz um “mise en scene” melancólico em campo?… como ele não ser o símbolo disso? Porque quando se coloca todo esse imbróglio no espelho, a imagem refletida é a de um ex-jogador em atividade, que se preocupa apenas com ele e com sua persona. Há muito Neymar se tornou uma marca. Em uma partida do Santos contra o Coritiba, no campeonato brasileiro desse ano, o estádio estava lotado, o torcedor numa linda festa, e Neymar saindo do vestiário, com suas filhas, a esposa do lado, sem contato com seus companheiros de time, todo um cenário pra aparecer. No fim da partida, o Santos levou 3 a 0. Uma tremenda patuscada pra o time levar fumo. Também seria esquisito e praticamente inaceitável o Brasil ser campeão com a manchete “Mesmo sem atitude, Neymar debochado, propagandas de bet, e presidente da CBF putanheiro, seleção conquista o hexa”. Hum…não, né?...
Então, Neymar devia estar lá sim, pra carregar a responsabilidade pelo vexame nas costas, e não Bruno Guimarães - que perdeu o pênalti - e Endrick - que perdeu um gol de cara. Esses dois precisam ter aval porque vão continuar sendo convocados até a próxima copa, presumo. Fica então essa figura ridícula, carregando todos os males que se amontoaram durante a copa, ao lado de Ancelotti e Samir Xaud. E os memes que rolam deixam isso bem claro. Justo. Justíssimo. Que os que não queriam Neymar na copa reflitam sobre suas posições, pois a presença dele “salvou” muita coisa. Ficou claro também que a seleção não ia muito longe, mesmo sem Neymar, é só olhar o futebol falho e mambembe do time, é só analisar com boa vontade!
Publiquei um texto em maio (NEYMAR DEVIA IR PRA COPA SIM!) onde expressei exatamente isso, antevendo mais ou menos o que viria, e, sem modéstia, escrevi esse parágrafo que resume as coisas:
“Me parece evidente a falta de favoritismo da seleção, então melhor perder com um ídolo decadente em campo do que passar uma possível vergonha sem ele. Se a alegria da convocação está endereçada a ele, o mesmo que também responda pelos fracassos que ocorrerem e seja visto como símbolo disso. Isso pra torcida e pros próprios companheiros de elenco.”
Até 2030.
FONTE:

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