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O FUTURO ESTÁ NO MUSEU


Provavelmente você já ouviu falar: “Quem vive de passado é museu”, mas será que este ditado condiz com a realidade?  É verdade que na maioria dos museus podemos encontrar arquivos e artefatos antigos, porém nem todo museu possui essa característica, como os Museus de Arte Contemporânea que concentram obras recentes, muitas de artistas jovens e ainda vivos e ativos em suas produções.


Portanto, é possível perceber uma outra forma de lidar com a arte, através de releituras de obras antigas ou recriações, as quais podem ter como técnica, para citar algumas; o uso de materiais recicláveis, as colagens digitais ou as fotografias. Esta última, apesar de já não ser uma técnica contemporânea, propõe novas possibilidades de uso como os filtros ou a gama de artefatos do digital para manipular as capturas de imagens. A performance também pode ser colocada neste rol de produções artísticas contemporâneas que adentram o museu.


Neste contexto, também podemos considerar as diferentes maneiras de interpretação tanto de obras contemporâneas quanto antigas, e como o uso de tecnologias pode torná-las mais interessantes e acessíveis, o que é imprescindível para a promoção da inclusão. Isso pode ser alcançado através da utilização de hologramas, obras ou réplicas táteis, elementos de vídeo e/ou outros tipos de interações, como jogos e QR codes inseridos nas exposições. Também, a vinda de artes populares como o grafite para esses espaços e shows de música ao vivo, contemplam esse corpo-vivo cujo museu nunca deixou de ser.


Concomitante a diversidade de linguagens artísticas que se encontram nestes espaços e a pluralidade de obras acolhidas, percebo que os museus estão se tornando locais mais atrativos, principalmente para as novas gerações que não conseguem se desprender do celular. No museu, é possível tirar diversas fotos, e muitas delas, por serem registros de obras de arte, em geral são artefatos que se mostram interessantes por intrigarem o receptor e algumas realmente serem visualmente belas.


Também as pessoas ao postarem fotos delas nestes locais, não apenas das obras, acabam por estimularem outras a irem, mesmo que pela conceituação superficial de ser um espaço instagramável, ou seja esteticamente interessante para o registros nas redes sociais, em especial o Instagram. A própria construção do espaço museu, em que a pessoa pode passar por diversas galerias, ir e vir entre paredes, propõe um dinamismo que se assemelha com a rolagem das redes sociais.


Inclusive, a disposição das obras de arte no museu apesar de terem uma lógica, nem sempre é linear, o que permite a recepção espiralar de uma exposição, dilatando ainda mais os significados possíveis de exposição. Diferentemente de seguir uma lógica linear, de adentrar primeiro uma galeria e seguir em outra demarcada e assim em diante, sequencialmente.


Ir ao museu também é uma boa opção para quem já não mais consegue passar horas concentrado ou não possui de muito tempo para apreciar uma obra de arte. Por exemplo, ao ir ao cinema ainda se faz necessário dispor do tempo para ao menos concluir um filme, o mesmo para o teatro, embora essas duas outras linguagens artísticas sejam extremamente necessárias, o museu, atualmente, promove um outro cunho de contato com a arte que é o de uma apreciação rápida.


Não vou entrar aqui no mérito do quanto se consegue absorver indo rapidamente ao museu ou ainda o que a pessoa extrai de lá se vai apenas para fotografar, entretanto, em um mundo em que os jovens têm ficado cada dia mais imersos em problemáticas fúteis como fofocas de artistas, dancinhas, influenciadores sem referenciais teóricos, conseguir com que um jovem circule em um museu é uma grande conquista.


Em um mundo de consumo de redes sociais desenfreado, ocupar o museu é uma vitória do ponto de vista de não ter um algoritmo interferindo na recepção.  As obras ali, na maioria dos casos, possuem curadorias de pessoas especialistas em áreas do conhecimento como História da Arte, Artes Visuais, Literatura, Sociologia, Antropologia, diferentemente de muitos especialistas de internet que espalham Fake News.  No museu, se uma obra interessar a alguém, já é um ganho; o conhecimento foi passado e a arte apreciada.


Apesar de concordar que se uma pessoa visita o museu com alguém que tenha conhecimento sobre arte ou sobre aquele museu e/ou exposições especificas, ou ainda uma visita guiada, ela ganhará muito mais do ponto de vista de agregar conhecimentos. Porém, ainda assim, vejo pontos positivos no apenas ir ao museu.


Visitar museus abre possibilidades de experienciar outras formas de ver o mundo e agregar o fator da emoção diante da arte, seja esse o amor, a surpresa, a alegria, o nojo, a indiferença ou a simples curiosidade do não entendimento diante do objeto artístico ou no questionamento se isto ou aquilo é arte. A questão é que há pontos positivos nesta retomada dos museus pelos jovens e na adequação destes espaços ao novo, fazendo uma miscelânia do antigo com o contemporâneo, já que o dinamismo se faz mais possível nestes locais.


Dicas de Museu em Salvador:

Aqui em Salvador destaco o MAC, Museu de Arte Contemporânea que se localiza no Corredor da Vitória, antigo Palacete das Artes, também conhecido como Museu Rodin. A Casa da Música e A Casa das Histórias de Salvador, ambas no comércio e as diversas exposições que rodam os Museus no pelourinho. O MAM, Museu de Arte Moderna, e diversos outros espaços como a Caixa Cultural Salvador, na Avenida Carlos Gomes, o Instituto Goethe, no corredor da Vitória. A Aliança Francesa e o Instituto Miguel de Cervantes, ambos na Ladeira da Barra. Além da galeria no subsolo do Mercado Modelo.


Todos esses locais citados, e outros que deixei de citar, mas que possuem exposições ou obras de artistas renomados, inclusive parques como o Costa Azul e o Parque de Pituaçu, oferecem essas possibilidades outras de ter contatos com obras de arte, além de agregar o conhecimento sem gastar muito tempo ou dinheiro. Ainda é possível chamar os amigos para passear, tirar fotos e depois tomar um café, uma coca-cola, uma cerveja ou um drink, nos locais próximo a ele.  Bora ocupar os museus.


Foto de capa: Parede do MAC em Salvador, foto de Tácio Santos, retirado de G1 <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/09/29/museu-de-arte-contemporanea-e-inaugurado-na-bahia.ghtml> Visto em 23 de abril de 2024.

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