O Rock está vivo! E está mais jovem do que nunca!



Minha adolescência foi a pouco tempo. Com 24 anos, tenho apenas 6 anos de vida adulta. Sempre tive um gosto musical baseado nas décadas de 60 a 90. Muito por influência da minha mãe.


Lembro que muitos diziam que eu tinha um gosto musical de "velho". Que eu deveria ouvir o que estava no mainstream no momento, pois o rock era "velharia". No então, não via sentido em trocar Led Zeppelin por Justin Bieber. E pelo jeito, não fui o único a ter essa visão.


Tenho essa percepção principalmente quando vejo bandas formadas por quem teve a adolescência na mesma época que a minha. A sensação é similar a estar dirigindo sozinho em um deserto e, do nada, vários carros se unem a mim para seguirmos na mesma direção.


Logo, surpreendentemente, apareceram como destaque a partir da ultima década dos anos 2000, as bandas nordestinas de rock como Vivendo do Ócio, Far From Alaska e Selvagens a Procura de Lei. Trazendo um rock moderno, mas com um pé no clássico.


Essa semana, mais uma surpresa veio aos meus ouvidos. E vinda de mais perto do que imaginava. Pois, não só sou conterrâneo dessa galera, como tenho a oportunidade de ser colega de banda de alguns deles e amigo próximo.


A obra em questão, é o novo EP da ANTIAÉREO (outrora Ander Leds). O trabalho homônimo foi gravado durante um ano pelos músicos Davi Quadros (vocais), Sid Valverde (baixo), Ludo Passos (guitarras) e Luiz Müllem (bateria). Esses dois últimos nomes, também meus colegas em outros projetos. Além deles, juntou-se ao grupo para a gravação do EP o guitarrista Davi Araújo.


O EP começa com a faixa título. Tranquilamente, ela se apresenta com acordes de violão seguido por um coro de vozes e um fraseado de baixo que nos lembra a classe de Valverde. Classe de quem sabe fazer uma VERDADEIRA linha de baixo. Conhecendo o trabalho dele, não esperava menos.


Do nada, a bateria e as guitarras mostram quem de verdade são os meninos. Ludo e Davi Araújo assumem as 6 cordas com um groove que não estamos acostumados ver. E, da forma como tem que ser, eles sabem exatamente como crescer ao longo da música.


Pausa para os acordes de violão voltarem, só para anunciarem o solo de guitarra libertador que estava por vir. Logo, nos primeiros minutos ouvindo o EP meus olhos arregalam com o peso limpo e vintage que sai nos meus fones.


Fico sem acreditar, pois, mesmo conhecendo o trabalho dos seus integrantes, não esperava o que ouvia. Uma composição extremamente madura, com arranjos feitos com a máxima educação e bom gosto pelos instrumentistas, mas, ainda assim, trazendo originalidade em um puro rock and roll.


A próxima faixa, é a "Juízo"! Com um pouco mais de "malandragem" no instrumental enquanto o vocalista Davi canta cada sílaba como uma "voadora cirurgia na caixa dos peitos". Com peso, mas na medida certa. Com um drive de excelente bom gosto, de dar inveja. O frontman mostra a imponência que a obra merece.


Seguida de "Mereceu", já começa com a linha de bateria de Müllem que te leva de volta para os anos 70, com o groove e peso que deixariam John Bonham com um sorriso no rosto. Trabalhando com Luizinho, já sabia que viria uma pedrada dessas. Mas, o batera de apenas 20 anos deu aula para quem tem 25 de carreira. O groove segue e uma letra forte fala sobre hipocrisia e meritocracia.


Encerrando o EP, chega a faixa "Tóxico". Com timbres de guitarra que lembram um AC/DC jovial com direito a UM solo que para quem curte, de fato, guitarra, é de cair o queixo. Um solo para agradar até o mais exigente dos fanáticos por ZZ Top.


Resumindo, o que mais chama atenção é a forma madura como essa galera jovem nos seus 20 e poucos anos, "estreante" na cena musical, encara o trabalho. Encara como gente grande desde a composição das músicas, creditada a todos os integrantes, até a gravação e produção, responsabilidade de Luiz Müllem .


Chama atenção a forma como 5 jovens músicos de Salvador nos levam para o que os anos 70 tinham de melhor, mas sem perder a modernidade, leveza e malandragem que só quem nasceu depois de 1998 poderia nos trazer.


E fica um aviso para essas duas gerações. A mais nova, que curte o bom e velho rock and roll como eu, você não está só. E tem muita coisa boa feita de quem nasceu talvez até depois de você. E, para a galera mais velha que acha que a música boa morreu, relaxe. Pois o rock tá longe de morrer. E, pelo jeito, acabou de terminar o 3º ano do colégio.



Quer conhecer esse trabalho? É só procurar Antiaéreo na sua plataforma digital preferida. Deixo como sugestão o link do álbum no spotify: https://open.spotify.com/album/0iM1uygsOBH5To26fEWu3h?si=JWVVU3DYRyaKAw0-3MZZbw&utm_source=whatsapp&nd=1 


Foto de capa: instagram @aantiaereo <https://www.instagram.com/p/CeZj07vlv89/>

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