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PARQ. SÃO BARTOLOMEU: O CASO DO TELEFÉRICO RACISTA




Assim como (quase) tudo que está localizado fora do centro da cidade e das regiões circunvizinhas, o subúrbio ferroviário sofre com uma intensa segregação absurda. 


A grande maioria das pessoas que moram nesse complexo, diariamente fazem o trajeto de entrada e saída. Do centro ao subúrbio; dos bairros nobres ao subúrbio; dos espaços de lazer ao subúrbio. 


Entretanto, quase nunca, nós (não moradores do subúrbio) vamos ao subúrbio kkkk 


Já se perguntou o porquê?   


Claramente racismo estrutural e apartheid soteropretopobritano!


Se engana feio quem pensa que no subúrbio ferroviário não tem belezas exuberantes (além da prole dos reis e rainhas africanos). Por lá podemos encontrar muita vida, juventude, arte e natureza. O parque São Bartolomeu é uma grande ilustração disso. 


A área de preservação ambiental da bacia do cobre, que compõem o parque, foi criada por meio de decreto em 2001 e é um local de grande relevância para as religiões de matriz africana. 


Hoje, varrido pelo estigma da violência; Antes, palco de resistência à escravidão e invasões coloniais. E vamos aprender (já que não esquecemos o que não sabemos) que a pequena Mata Atlântica urbana sediou conflitos decisivos relacionados à independência da Bahia, além de aquilombar inúmeras pessoas escravizadas. 


Mas quem se importa com o subúrbio? E com a natureza? Bom, espero que eu e você, pois claramente o parque enfrenta o descaso das autoridades, a partir do abandono, da degradação e falta de manutenção. 


Atualmente, a Iniciativa Popular Trilha das Flores promove inúmeros eventos a fim de que o espaço grandioso do parque seja ocupado pela população, moradores e não moradores do subúrbio. 


Mas, para além dos enfrentamentos mencionados, o parque está sendo ameaçado pelo empreendimento de um teleférico, anunciado no início desde ano pelo prefeito da cidade, o Bruno Reis, do governo que não tem transparência ou considera a opinião da população.[1] 


O projeto racista vem disfarçado de que vai melhorar a vida de inúmeros moradores da região ao ligar os bairros de Campinas de Pirajá e Praia Grande, mas ambientalistas analisam as projeções e constatam que parte da estrutura passará pelo parque, destruindo um trecho onde se localiza a Cachoeira de Oxumaré, território extremamente sagrado para as religiões de matriz africana. 


‘’Infelizmente, a Prefeitura de Salvador acertou um projeto altamente destrutivo, tanto para a flora como para a fauna do Parque São Bartolomeu. Um ataque direto à nossa religiosidade, infelizmente a nossa história.’’ pontua em vídeo nas redes sociais o estudante de engenharia florestal Glauber Machado que coordena atividades no instituto do parque.[2] 


Mas e você, o que acha dos novos empreendimentos da prefeitura de Salvador que estão deixando os ambientalistas preocupados? 


_________

Imagem: Cedoc A TARDE / Data: 20/12/1985


Notas:


[1] Leia também o texto do colunista Carlos Cardoso a respeito da venda/doação de áreas ambientais em Salvador. Para acessar, clique aqui.  



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10 Comments

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Mais uma parte desse processo de "cimentização" de Salvador, vide a devastação trazida pelo BRT e os lotes vendidos pela prefeitura no inicio desse ano. A Bahia em geral ocupa o 2º lugar em desmatamento da Mata Atlântica https://www.correio24horas.com.br/bahia/bahia-mantem-2-lugar-em-desmatamento-da-mata-atlantica-pelo-terceiro-ano-seguido-0523 Ótimo texto!

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Salvador entre o caos e o caos, né, Vinicius? Obrigada pelo comentário!

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Jac Gama
Jac Gama
Mar 26
Rated 5 out of 5 stars.

Assisti a uma palestra do Malcom Ferndinand na UFBA, ele é da Guiana Francesa e hoje professor bem prestigiado na França, ele estuda ecologia decolonial e falou deste caso absurdo do Parque São Bartelomeu, e o racismo na desapropriação e gentrificação de áreas em que majoritariamente são ocupadas por pessoas pretas e pobres . É bizarro o quanto a cidade, as culturas e a natureza perdem com tamanha ignorância e ganancia dos gestores de Salvador. A burguesia fede!

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E ainda há quem diga que não convivemos com o racismo e a segregação racial! A burguesia fede a lixo radioativo!

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É incrível como os governantes não aprendem olhando os estados de outras regiões. Olha o que era o RJ e o que está hoje, sem floresta, uma pilha de concreto, uma cidade sem brisa, tudo por causa da expansão imobiliária incorreta e em nome do bem da cidade. Bem da cidade??? Na última semana, a sensação térmica bateu 60 graus… Não podemos deixar que isso aconteça em Salvador!

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Tattiana, infelizmente essa é uma realidade mesmo. Seu comentário me fez refletir o quanto eu amo uma produção pós-apocaliptica/ colonização interplanetária. É uma lastima a forma como o capitalismo nos cerca da todas as formas imaginaveis e inimaginaveis. Obrigada pelo comentário!

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Tô totalmente por fora desse teleférico,fora um túnel no Centro Histórico. Obra pra cidade uma porra! Isso é pra atender empreiteiras que financiam campanhas!

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Com certeza, Carlos!

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