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POR QUE OS HOMENS NÃO PROTEGEM NINGUÉM? O PAI DO SUBMARINO E AS NOÇÕES DE PERIGO


Sobre a história do submarino e, especialmente, o pai que convenceu o filho a fazer a viagem, há uma pergunta que ainda não foi feita: uma mãe faria a mesma coisa?


Para relembrar, cinco pessoas estavam dentro do submarino Titan que desapareceu no oceano após iniciar uma expedição rumo aos destroços do Titanic e, dias depois, descobriu-se que todos morreram em uma implosão pouco tempo após imergirem. Dentre elas, estava Stockton Rush, fundador e CEO da empresa responsável pelo submersível, a OceanGate, que chegou a afirmar em um podcast “...em algum momento, a segurança é apenas puro desperdício” e demitiu injustamente o funcionário David Lochridge, após ele trazer preocupações sobre a recusa da empresa em conduzir testes mais críticos sobre o Titan.


Outras duas pessoas que estiveram na expedição foram o empresário Shahzada Dawood e seu filho Suleman Dawood, de apenas 19 anos. Além dos dados que apresentei anteriormente, que trazem indícios claros que o submarino não parecia ser seguro, pessoas que já fizeram a mesma viagem confirmaram que assinaram um documento onde se responsabilizavam pelos perigos de viajarem em uma embarcação experimental no fundo do oceano atlântico (mesmo pagando por cada assento a quantia absurda de U$S 250 mil)


E aí meu pensamento voa para essa pergunta: se fosse uma mãe, ela aceitaria ir e levar o filho junto? Minha pergunta ressoa nas questões de gênero, que apresentam como o cuidado e a proteção estão destinados apenas às mulheres. Ao pensar em uma viagem como essa, imagino uma mãe perguntando a várias pessoas se isso é seguro, catando na internet informações sobre a empresa, lendo as letras miúdas do contrato e pensando duas vezes antes de correr qualquer risco. Provavelmente, ela listaria o que, depois, a imprensa apresentou como as diversas falhas da fabricante como, a falta de um GPS, a baixa qualidade do material que revestia o submersível e os problemas técnicos que o submarino apresentou em expedições anteriores.


Nesse caso, percebe-se que muitas informações sobre os defeitos dessa expedição pareciam fáceis de serem encontradas, porém, nem mesmo o CEO da empresa que fabricou o submersível estava preocupado com o assunto. Ele falava abertamente que, mesmo cobrando uma quantia milionária, não podia garantir a total segurança do passageiro na viagem. Acredito que esse tipo de fala não tenha sido motivo para afastar sujeitos do experimento. Pelo contrário, dentro do que os homens são construídos culturalmente, como seres tentados a “rir do perigo”, esse tipo de afirmação se tornou um apelo a mais para pagarem pela viagem, afinal, eram CINCO homens dentro da embarcação…


No constructo masculino, a proteção parece ter sido abandonada da sua responsabilidade. De fato, o que prevalece é se provarem corajosos e impulsivos, tornando-se as pessoas mais propensas a incorrer em acidentes de carro (“183% das colisões acontecem entre motoristas homens”) e a se arriscarem de forma não raciocinada, entrando para o ranking dos acidentes mais estúpidos, onde quase 90% das situações são causadas por homens (como o caso de um rapaz que quis pegar uma carona em um trem engatando um carrinho de compras nele).


O risco masculino se estende também a quem estiver por perto, incluindo seus próprios filhos e filhas! Vocês viram a foto de um torcedor que, com sua criança no colo, parte para cima do jogador do time rival durante uma confusão no jogo do Inter contra o Caxias? É tenebroso o desespero da menina e o rosto enraivecido do homem, que não conseguiu raciocinar por segundo o perigo a qual estava expondo sua filha. E nem precisa ser algo tão drástico. Basta conversar com qualquer mãe para ela comentar as diversas vezes que precisou relembrar ao pai sobre cuidados básicos, desde passar o filtro solar quando as crianças estão no sol a cobrança para que não esqueça de colocar o cinto de segurança nos pequenos.


O ponto é observarmos que até o campo do perigo ficou nas mãos das mulheres. Cabe a elas prever as situações e se responsabilizar para não causar mal a ela e aos que estão em sua volta. Quando observo a questão de homens famosos, como o Neymar, traindo várias vezes a companheira, além da exposição humilhante, penso na segurança dela e do feto. Se ele transa com esse tanto de mulher, será que ele usa camisinha em todos os casos? Mesmo no sexo oral? E se ele contrair uma doença e transmitir para a Bruna e para a sua bebê? Se seguir as estatísticas (“870 mil mulheres são infectadas pelo HIV todos os anos no mundo e 80% foram contaminadas pelos maridos ou namorados”), essa é uma grande probabilidade.


Por isso, precisamos discutir ainda mais profundamente a subjetividade masculina estabelecida pelos ditames do machismo e seus dispositivos de eficácia e poder que impulsionam homens a agirem sem pensar e sem proteger a si e a qualquer pessoa em sua volta. O tom destrutivo do machismo atravessa muitas camadas e afeta até mesmo pessoas improváveis de sofreram um acidente tão estúpido, como os bilionários mortos na implosão do submarino Titan.




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