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PRIOLI, ASTRID E AS TRADIÇÕES JUNINAS. QUEM TEM RAZÃO?





Nessa semana, uma discussão sobre festas juninas deu o que falar. No programa “Saia Justa”, as apresentadoras Gabriela Prioli e Astrid Fontenelle conversavam sobre tradição – ou o fim dela – das festas juninas. Astrid foi a um evento junino onde estava tocando axé, e não o gênero musical típico do festejo, o forró. Já Prioli questionou o que seria uma tradição junina, ressaltando que o que Astrid achou ruim, muita gente achou bom e poderia estar querendo justamente aquilo e mandou um “o que estabelece o marco temporal do que é São João?”. E aí? Qual das duas está correta?


Bom, não queria partir desse principio que uma das duas estaria com a razão. Já posso adiantar que assistir uma apresentação numa festa de São João numa praça está mais próximo de um festival junino que curtir a tradição desse festejo nordestino. Acender fogueira, assar milho, formar quadrilhas, soltar fogos, dançar forró e beber licor na casa dos outros tem muito mais a ver com São João que um show de Adelmário Coelho e Flávio José. As prefeituras captam a turistização do evento, a fim de movimentar a economia trazendo visitantes. Se esses vão apenas apreciar apresentações musicais, problema deles. Então, curtir São João torna-se algo subjetivo sim, concernente a um desejo, um modo próprio ou coletivo de curtir uma festa, de acordo com seus princípios.


Outra coisa: o que é forró “tradicional”? Alguém de 40 anos pode não considerar Wesley Safadão forró, mas Mastruz com Leite, sim. Os pais dela, no entanto, podem achar que forró é Dominguinhos e Luiz Gonzaga, e que Mastruz... hummmm, Mastruz não! Então o corte temporal diz muita coisa também: Um sertanejo pode ser apropriado pra quem tem 17 anos, acostumado a ver uma miscelânea de artistas de vários gêneros nas festas que costuma ir. Porém, não será pra quem tem mais de 60.


Isso quer dizer que concordo com Prioli? Não necessariamente. Astrid pode reclamar a vontade, já que o que se espera de algo que remete ao São João contenha a audição de forró. Ela está certa. Quando as pessoas reclamam da ausência de forrozeiros nessa festa indica também, por outro lado, que não convém um trio nordestino puxar um trio elétrico no domingo de carnaval. Ou mesmo numa festa de largo, onde samba e batucada tomam conta das ruas. Por esse ponto de vista, tudo pode ser bem engessado e programado demais. “isso é aqui, aquilo é ali, e pronto”. Parece uma ditadura cultural. Por isso mesmo, separei festejo junino de festa de São João: as características da festa em primeiro lugar e o forró aparece como elemento, e não a diretriz exata da data. Pode-se curtir vários momentos típicos sem necessariamente o som estar ligado. Mas reitero: os artistas de forró têm razão ao reclamar da falta de espaço. Como eu falei, muito amante de São João torce o nariz ao ver que um forrozeiro tomou o lugar de uma banda de reggae num fim de tarde de verão numa praia.


A discussão no programa foi boa para poder produzir o texto, mas a treta foi longe demais, até mesmo xingamentos Prioli recebeu um exagero. Ela está longe de ser uma especialista nessa área, mas foi importante tudo isso. Nem tudo que reluz é ouro.



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