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SOBRE TÉRMINOS...E AMOR




Para ler ao som de “Eu e você sempre”, na voz de Marcelo Jeneci

 

Eu me lembro quando você sem saber dizer que queria ir embora, disse-me que queria ir embora. Eu não acreditei! Achei que fosse parte da pequena discussão que havíamos tido horas antes. Discussões resultantes de cuidado demasiado um com o outro. Estava escuro, estávamos na cama, lado a lado. Eu disse: “você quer terminar, é isso?”. Você disse que achava que sim, que era isso, sim. Não sei escrever o que senti. Meu coração disparou, eu fui agressivo, falei palavras duras. A raiva tomou conta. Eu não acreditava. Naquele dia foi decretada pandemia no Brasil, pelo COVID.


Como assim, finalizar em meio aquela loucura que o Brasil mergulhava? Não dormi direito. Os dias seguintes foram bizarros. Nós, trancados em casa, sem entender o mundo e a nós mesmos. E eu tinha que trabalhar, seguir. Você também. Mas ambos dentro de um apartamento minúsculo. Até hoje não sei como lidei com aqueles primeiros dias. Boca seca, mal-estar e raiva. Tanta raiva... Lembro de você providenciando sua volta para seu estado.


Até que um dia, dos quinze que passamos juntos pós o “barraco desabar”, conversamos. Fomos sinceros, crus, fomos até o osso, sem pena, mas com afeto. Olho no olho, amor e cuidado. Fizemos trato de nos cuidarmos e nos respeitarmos até o dia em que você fosse embora. Chorei muito, um amor imenso, mas a certeza de que era preciso que você fosse. Era seu desejo. E como eu o amava, eu precisava soltar. Parece fácil dizer isso, mas minha cabeça pensava assim e era o momento de vivenciar esta dor.


A gente ouve tanto que quem ama deixa livre. Mas não se aprende a “executar”, essa é a palavra, este ato com tanta facilidade. Dói, porque fomos forjados na dependência e na necessidade de ter alguém. Você, mais uma vez, ensinava a mim que a LI-BER-DA-DE é a arte mais fina, frágil e bela. Lembro que naquela conversa sincera você me disse que precisa “ir em busca de você”. Achei aquilo tão profundo e tão você! E eu que acredito nisso, cedi com dor.


Interessante, quando hoje falo que você terminou por este motivo as pessoas arregalam os olhos, ficam assustadas. É, para muitos os términos ainda devem ser pelos motivos dramáticos de sempre. Mas por que não terminar quando se deseja ver-se, mergulhar-se? Há motivo mais lindo, autêntico e cheio de verdade? Sabia que as pessoas sempre, sem-pre perguntam por você? E elas novamente se assustam quando digo que falo com você praticamente todos os dias nos “reels” das redes sociais.


E quando falo que somos amigos, que o amo imensamente, que muito do que sou hoje aprendi com você (principalmente o humor), novamente elas ficam boquiabertas. É impressionante como é louvável terminar um relacionamento com mágoas, com difamações, acusações. Percebo que as pessoas “gozam” com isso. Mas quando possuem contato com um término onde os pares permanecem amigos, confidentes, afetados, isso as impressiona. Nossa, como as regras são cruéis, né?


Hoje amo mais você que ontem. Sinto isso enormemente. Mas é diferente. É por outro ângulo. As pessoas, aquelas mesmas, perguntam se eu voltaria para você. E eu digo que “não”. Algumas falam que basta ter oportunidade, o que não é verdade. Como assim? Como o outro pode julgar o que temos dentro de nós? O amor foi ressignificado. Foi para outro campo. E ainda assim é amor, e maior do que antes. E isso é maravilhoso!


Ano passado pude falar isso nos seus olhos. Você apertou minhas mãos tão forte que machucou, pois eu estava com anéis (sem o casaco de general, mas “cheio de anéis”). Eu me emocionei e você também. Tínhamos dois amigos como testemunhas. Tão bom poder dizer ao outro que amamos e estamos felizes pelo caminho que ele vem construindo. Foi tão bonito! Quando falo em você ficou empolgado, pois você dividiu minha vida e isso é maravilhoso. Já te disse e repito: “sou bem melhor hoje, depois de ter te conhecido”.


Sabe, semana passada eu estava pelos interiores da Bahia. Lembrei tanto de você, do que fomos e construímos e que nos fez chegar onde estamos. Agradeci! Falei sobre você mais uma vez, pois perguntaram. Eu estava em PAZ! Lembrei de momentos suaves e duros que tivemos. Lembrei do mundo que conhecemos juntos. Lembrei que você me fez encostar ainda mais em mim. E lembrei que o amor não tem regras, gavetas, normativas. Ele é construído e nós conseguimos fazer um caminho diferente. Valeu!

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10 Comments

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Lindo e absolutamente arrebatador!

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Li ouvindo a música :)

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Lindo e profundo!!!

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Ah o amor!❤️

Xico, dizem que dia dos namorados é "cringe" e eu como boa representante dos "Cringes", aqui neste dia 12 de junho suspirando com o seu texto no buzu...


"E lembrei que o amor não tem regras, gavetas, normativas. Ele é construído e nós conseguimos fazer um caminho diferente". Para a maioria de nós a vida já ensinou esta lição.


Aquela paixão tão improvável, fora de hora, de contexto e que a gente sequer sabe como começou! "Te vi te vi te vi yo no buscaba a nadie y te vi".


Confesso que ressignificar um sentimento que não pode ser vivido não é fácil meu amigo...mas me fez pensar!

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Que bonito! Grato. Não, não é fácil. É um processo. E dói. Bj

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Que texto lindo, Xico! Parabéns! ❤️

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🤗🤗🤎🤎

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