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TIRE AS CONSTRUÇÕES DA PORRA DA MINHA PRAIA, NÃO CONSIGO RESPIRAR!




Existe uma afirmação complexa que requer uma análise detalhada dos processos urbanísticos e políticos em curso na cidade de Salvador: "A cidade de Salvador está sendo urbanizada para encher cofres e matar pessoas". Embora a urbanização seja frequentemente associada ao desenvolvimento e ao progresso, a situação em Salvador revela nuances preocupantes que merecem atenção crítica.

 

Salvador, a primeira capital do Brasil, enfrenta desafios significativos em termos de desigualdade social, pobreza, violência e acesso precário aos serviços básicos. Uma pesquisa realizada pelo ICS (Instituto Cidades Sustentáveis) divulgou, no dia 26/03/2024, o Mapa da Desigualdade entre as capitais brasileiras e demonstrou em números que a capital baiana é a que possui os piores índices nacionais.

 

Enquanto a cidade busca se modernizar e se tornar mais atraente para investidores e turistas, essa busca muitas vezes ocorre às custas das comunidades mais vulneráveis. Uma das facetas da urbanização em Salvador é a gentrificação, um fenômeno global que envolve a transformação de bairros anteriormente degradados em áreas mais valorizadas, muitas vezes expulsando os moradores de baixa renda para as periferias da cidade. Isso ocorre através da especulação imobiliária, do aumento dos preços dos aluguéis e da revitalização seletiva de áreas urbanas, privilegiando determinados grupos em detrimento de outros. Dados recentes mostram que o processo de gentrificação em Salvador está contribuindo para a marginalização de comunidades historicamente estabelecidas, como os residentes de favelas e bairros de baixa renda. Essas populações enfrentam despejos forçados, falta de acesso a serviços básicos como saúde e educação, e aumento da criminalidade em meio à perda de redes de apoio social. Além disso, a urbanização muitas vezes negligencia questões ambientais e de sustentabilidade.

 

A expansão urbana descontrolada em Salvador tem levado à degradação de ecossistemas naturais, aumento da poluição do ar e da água, e vulnerabilidade a desastres naturais, como enchentes e deslizamentos de terra. Esses problemas afetam desproporcionalmente as comunidades mais pobres, que têm menos recursos para se proteger e se adaptar. Por outro lado, a busca por lucro e desenvolvimento econômico muitas vezes leva à priorização de projetos de infraestrutura que beneficiam os interesses comerciais em detrimento das necessidades da população local. Isso inclui a construção de grandes empreendimentos imobiliários, shopping centers e resorts, que geram empregos temporários e lucro para investidores, mas pouco contribuem para o desenvolvimento sustentável e inclusivo da cidade. Um grande exemplo da forma como os gestores de direita (neoliberais) da cidade vem pensando suas políticas, no que tange a infraestrutura, é a construção do modal BRT que custou aproximadamente R$ 283 milhões aos cofres públicos, um corredor de concreto que derrubou árvores centenárias e que hoje tem sua funcionalidade e benefícios extremamente contestados, levando quase ninguém a lugar algum e ainda utilizando de via pública fora do modal para tentar aumentar a sua demanda.

 

A questão da segurança pública também é central nesse contexto. Salvador tem uma das taxas de homicídios mais altas do país, e a violência urbana é uma preocupação constante para seus habitantes. A urbanização desigual pode exacerbar esses problemas, criando áreas de exclusão social onde o crime prospera e as comunidades se sentem abandonadas pelo Estado.

 

Portanto, é evidente que a urbanização em Salvador está sendo conduzida de forma desigual e muitas vezes desumana, priorizando o lucro sobre o bem-

estar das pessoas e o equilíbrio ambiental. Para que a cidade verdadeiramente se desenvolva de maneira sustentável e inclusiva, é necessário um esforço conjunto entre o governo, a sociedade civil e o setor privado para garantir que o processo de urbanização seja justo, transparente e orientado para o benefício de todos os seus habitantes.

 

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