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TRÊS TIPOS DE PESSOAS QUE LIDAM COM O DESCONHECIDO







Grandes questões da humanidade ainda se mantém, apesar dos avanços que tivemos ao longo de toda nossa história. Por que estamos aqui na Terra? O que acontece depois da morte? Existe vida além da Terra? Como uma miríade de neurônios produz alguém que fala, que sonha, que lembra, que tem uma identidade? De onde vem o Universo e por que ele existe?


Com algum grau de simplificação, e esse é o risco de escrever em coluna, elejo abaixo três tipos ideais de pessoas (ideal no sentido de modelo, uma abstração teórica) que enfrentam essas questões.


O primeiro tipo ideal é aquele que aceita não haver explicação racional para determinados fenômenos. Ele diz: eu não sei, não posso responder, não há instrumentos possíveis. Esse tipo de pessoa pode ser um cientista, um filósofo, ou mesmo alguém que simplesmente encara a vida mantendo as dúvidas. Nesse grupo, as perguntas são mais importantes que as respostas. Estas podem aparecer lá na frente, ou não. E está tudo bem. “É melhor ser um homem de paradoxos do que um homem de preconceitos”, como disse, certa vez, o filósofo genebrino Jean Jacques Rousseau. Para os que se identificam com essa visão, a expressão existencial da vida é a humildade em aceitar que o conhecimento é sempre uma eterna busca, e que nós morreremos sem ter respostas sobre a maioria das grandes questões. “Ainda que seja pouca coisa: não acredito saber aquilo que não sei”, Platão.


O segundo tipo ideal é aquele em que ao se deparar com os mistérios não respondidos, apela à fé. E esse recurso, no que ajuda? Explicar aquilo que não podemos racionalmente responder. Deus, deuses, demiurgos, entidades, energia inteligente, espíritos, céu, inferno, planos vibracionais. São algumas das possíveis explicações que apareceram em toda nossa história. Se não há respostas racionais para o Mistério, caminha-se em direção ao sobrenatural, ao transcendente. Uma vida sem respostas imediatas não vale muito a pena. “A fé começa precisamente onde a razão acaba”, como disse certa vez o filósofo Soren Kierkegaard. Ou “sabemos que a fé consiste em crer naquilo que a razão não pode entender”, parafraseando outro filósofo, Voltaire.


E um terceiro tipo ideal de pessoa é aquele que, ao não serem respondidas racionalmente as grandes questões da humanidade, apela para as chamadas “teorias” conspiratórias. Tais “teorias” – e o termo teoria é inadequado, diga-se de passagem – são utilizadas por pessoas que não estão satisfeitas com as respostas da ciência (ou a não resposta sobre várias questões), e recorre a várias possíveis explicações alternativas, impossíveis de serem provadas. E aí está o pulo do gato, na maioria das vezes: já que ninguém pode refutar com pesquisa séria a hipótese do conspiracionista, que já é uma suposta “teoria” desenvolvida (os alienígenas estão controlando um governo oculto junto com a elite mundial), ele continuará a se apegar a ela como se fosse verdade inquestionável, irrefutável. Assim, não é apelo a algo transcendente, com o uso da fé, mas hipóteses mirabolantes, criativas, racionalmente desenvolvidas, impossíveis de testar, logo de refutar.


No primeiro tipo, as verdades ainda podem ser descobertas, afinal a busca pelo conhecimento continua; no segundo tipo, as verdades já estão reveladas, já foram escritas, já estão dadas nas mais diversas obras, líderes espirituais e culturas antigas; e o terceiro tipo, as verdades já existem também, mas sem apelo para o uso do sobrenatural, mas com o recurso hábil da impossibilidade racional de falseamento empírico. O segundo e o terceiro se aproximam quanto à impossibilidade de refutação racional.


Por fim, os três tipos ideais aqui podem misturar-se na vida prática. Por exemplo, existe o religioso crítico ou cético, o cientista religioso ou o religioso ou cientista que seletivamente utiliza “teorias" conspiratórias.


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1 Comment

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carlosobsbahia
carlosobsbahia
Sep 18, 2023

Colocar esses três tipos numa roda de conversa ou podcast não muda em nada o perfil dos respectivos tipos.

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