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TROTE E PUNHETA: BADERNA E ARRUAÇA NOS CURSOS DE MEDICINA




Um vídeo aterrador deixou muita gente espantada essa semana. Um grupo de estudantes de medicina da UNISA (Universidade Santo Amaro), em São Carlos, simularam um “punhetaço” durante uma partida de vôlei feminino na quadra da instituição. Pelados, simularam uma masturbação coletiva enquanto suas colegas jogavam. Isso ocorreu em abril, mas somente foi divulgado no domingo 17. Pra piorar, entoaram nas arquibancadas um “hino” que foi considerado apologia ao estupro, segundo uma especialista em direito das mulheres. A “música” falava em “enfiar o dedo” e “entrar mordendo, na rima do podendo”. Abusos, misoginia, e outras condutas irresponsáveis fazem parte da “tradição” dos veteranos do curso, segundo depoimentos de alunas enojadas com o caso..


O que choca é que são alunos de um curso que preza pelo cuidado à vida e zelo pela saúde mental e física. No entanto, isso não é novidade alguma no que diz respeito a casos escabrosos envolvendo futuros médicos nas faculdades país afora. O que tem de escândalo não é brincadeira! Trotes, estupros, comemorações bisonhas, e até mortes, já foram registrados. Em 1999, durante uma trote na USP, um aluno morreu após ser atirado numa piscina – tendo avisado que não sabia nadar! Os veteranos? Foram absolvidos anos depois.


O Brasil é o segundo país do mundo com maior número de faculdades de medicina (perde pra Índia). São 353. Os cursos são muito caros, geralmente ocupados por pessoas de classes altas que podem pagar. Sem tanto esforço pra se manter na faculdade, acabam gerando diversas arruaças, típicas de quem se considera altamente privilegiado e que suas “brincadeiras” são apenas atos juvenis. Me recordo que havia Chopadas de Medicina em grandes espaços de eventos, custeando atrações notórias. Fazer festa aproveitando sua gorda conta bancária, vá lá. Acontece que a fama dos alunos desse curso remete a pesados trotes – uma recepção pesada a novos estudantes que envolve embriaguez, pedidos de esmola, tintas atiradas no corpo, e outras humilhações. E absurdos assim não acontecem apenas como “boas-vindas”. Há uma “tradição” numa universidade de Marília, São Paulo, que consiste na invasão de formandos num Pronto Socorro e ficar cantando pelos corredores, atazanando a vida dos pacientes.


Como associar tanta baderna a pessoas que vão seguir profissão que cuida das pessoas, tal mencionado acima? Com sorte, você pode não precisar de advogado. Caso você more anos de aluguel, não necessita arquiteto ou engenheiro. Nem todos fazem terapia – às vezes o terapeuta é o líder religioso da doutrina que escolhemos. Mas médico? TODO mundo precisa um dia. Seja por problemas de saúde, precaução, ou acidentes. E quem nos atende são profissionais saídos de faculdades que fazem pouco caso das perturbações de seus alunos. Muitos desses futuros médicos preferem atender em consultórios em suas cidades de origem. Quando lançado em 2013, o Programa Mais Médicos teve pouca adesão de formados no país, recorrendo assim a médicos estrangeiros, principalmente cubanos, para percorrer os grotões onde playboys e patricinhas não querem pisar. Isso é uma opção, não é compulsório, porém, muitos depois reclamaram da presença dos cubanos “tomando o lugar” de muitos.


E o que falar de médicos já formados? Muitos defenderam métodos ineficazes de combate à COVID, adotaram práticas negacionistas, atendendo a um sistema de pensamento anti-ciência! O que pensar sobre esses profissionais? O médico Drauzio Varela – sempre muito lúcido – afirmou que as faculdades de medicina formam “muitos técnicos, mas poucos médicos”. Ele diz que falta ética como matéria curricular e o futuro especialista é preparado com pouco destaque a situações personificadas, gerando um atendimento universal. Geralmente, muitas pessoas reclamam que entram em um consultório e o doutor pergunta logo “tá sentindo o que!??” sem uma conversa prévia, até mesmo pra saber se o sujeito não está lá apenas para exames de rotina, sem necessariamente estar com dores ou sensações ruins.


Se tudo fosse só isso... Há várias denuncias em relação a médicos, alguns renomados. Assédios, estupros, e outras acusações feitas por profissionais que devemos nossa saúde e cuidados clínicos. Devemos reconhecer, após tantos casos, que realmente é uma especialidade escolhida por muita gente mimada, soberba, e que por nos ajudar a nos manter vivos, tem o rei na barriga. Desde universitários.


Encerro dizendo que antropologia é disciplina essencial pra quem cursa ciências da saúde. Como área das ciências sociais que lida com diversidades culturais das comunidades mundo afora, é fundamental saber que atender uma lavradora idosa que reside num povoado no sertão de Xique-Xique é totalmente distinto de atender uma auditora fiscal aposentada que mora num condomínio de luxo no Itaigara. “Poxa, quem não sabe disso???”, diriam alguns de vocês. Quem promove punheta em público talvez não saiba.


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