Você cuida do seu coração?



Chocante para muitos de nós se deparar com uma era tão sombria. Quem diria que no Brasil estaríamos vivendo um regime político avacalhado, escancarado e sem máscaras. Sim, as máscaras caíram, no sentido literal, pois a pandemia nunca esteve tão no auge e nunca vimos pessoas abandonando o uso das máscaras.


Segundo o dicionário de símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (2020), o simbolismo da máscara varia consoante os costumes. A máscara é um adereço utilizado em diferentes situações, seja como disfarce, objeto lúdico, religioso ou artístico. Ela tanto pode revelar ou esconder uma identidade ou, ainda, transformar a identidade e a vida de quem as usa.


Qual está sendo mesmo a função das máscaras ou a queda delas agora?

Em um período pandêmico onde a única forma de se proteger e proteger o próximo é o uso das máscaras, estamos as assistindo caírem, seja para o queixo, para as mãos ou para o chão. Estamos revelando nossa identidade frágil, adoecida, desconectada da vida e do cosmos, ignorando o fato que o individualismo é um conceito filosófico. Em uma doença coletiva ninguém responde por si mesmo, mas algumas pessoas seguem cegas, usando a máscara no lugar errado, tapando os olhos

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Este é um acontecimento revelador, toda máscara caída revela a identidade do que se ocultava, a humanidade está dando as caras e gritando por socorro, por amor. Não esse amor tóxico, doentio, das músicas de paixões e dos bregas, da possessividade, do ciúme e da dominação. Deste já estamos fartos e craque em sentir e fazer uso. O amor de fato, esse que é responsável, que ao invés de mimar ensina a respeitar e viver limites, nos falta.


O amor pelo qual fomos gerados e nos permitiu experimentar da existência, se mostra ausente. O amor é que torna possível a vida. A dar, mas também a retira. O universo que permite a existência dos seres não tão humanos na Terra e o seu convívio com os outros seres, não menos importante, nos ama tanto, que está nos ensinando o limite. Diminuindo nossa expansão doentia, recuando-nos para nossas casas quando necessário. Necessitamos aprender a conviver, pois nessa quarentena sentimos a falta do convívio social, da natureza e de sua importância, mas repetimos a dose, insistimos no erro. Pedimos mais uma dose de aprendizado e a natureza que é só amor, nos respondeu com limites, com NÃOS, que nossa criança interior não aprendeu a ouvir, muito menos a dizer.


O amor é a resposta para todas as perguntas, é o sentido de todas as buscas, conhecê-lo as vezes nos exige muita dor, tormento, violência e sombra, pois para se transformar é preciso acolher o que se obscurece e apodrece. No entanto, no fim das contas, é o amor que lateja e brilha como ouro na escuridão. O amor que nos sustenta, que nasce e brota e coexiste em nosso peito, mesmo que não nos atentemos para a sua presença. O amor é como uma flor de lótus, nasce nas águas impuras e purifica-a, mesmo que, a nossos olhos, ela pareça apenas uma planta estranha e burra, que vive e fica nas impurezas.


Chegou o momento de PARAR, recolher-se e RESPIRAR. Sentir o amor fora e dentro, percorrendo as energias, as veias, os pensamentos…


Nesse momento pandêmico e de tanta desconexão, precisamos expandir nossa luz interior, que dialoga com o Todo, e vem do Todo, clareando a sombra da ignorância, do individualismo e da cegueira. O amor é presença e cura, não restringida ao corpo, englobando a alma. O AMOR É compaixão e aceitação dos limites, compreensão do incompreensível, a fonte e a água, o maior de todas as coisas, o primeiro, o TUDO. Sem deixá-lo fazer presença, ele vegeta-se, limita-se, perde-se, mas ele permanece, silencioso, forte e luminoso, esperando para fazer entrada, curar, transformar e iluminar todos nós. Não use a máscara para o amor, mas para as sombras que não nos permite evoluir.


O amor rompe toda barreira da diferença, do egoísmo, da ferida, da dor e do ódio. Quando deixarmos nosso amor falar, respirar e sorrir, não haveremos mais angustias, nem perguntas. Nós entenderemos o significado da vida, da existência e do caminho e compreenderemos que ele é TUDO, está em todo lugar a todo o momento. Esta compreensão se limita a momentos. Então repita esse procedimento insistentemente.


Portanto, chegamos em um momento de grande desafio, de ver nossos semelhantes nas ruas, ignorando a distância, rindo dos cuidados, taxando-os de exagero, brincando com a vida de outras pessoas e a sua própria, em desamor e desconhecimento. Nosso momento pede CALMA, não responder o ódio com ódio, ao contrário, por via da conexão com o amor profundo, compreender os limites e o processo de evolução de cada, pois não temos que interferir, não podemos e nem temos esse direito. Se não nos aproximamos para dar o limite necessário que nos protege, e se não somos autoridades responsáveis por medidas drásticas de segurança, que aquietemos nossos ânimos e esperamos o aprendizado de cada um.


O caminho da evolução, do aprendizado, do amor, é individual, e depende exclusivamente de uma decisão nossa que é preciso se sustentar para que os pés continuem a caminhada. O percurso é humanizar, materializar a energia, permitir o fluxo e a direção para a humanização. Os passos é da pureza de espirito e de coração, humildade, acolhimento, aceitação e compaixão para acessar a energia espiritual do amor.


A palavra, apenas fagulha, anos luzes distante do seu sentido, que por tão amplo não se limita, não se compreende, apenas por parcela, se sente. Nós, tubos, possibilidades de que ela flua ou estagne. Corpos que permite que a água flua ou pare, e todos nós sabemos suas consequências. Precisamos aprender a deixar que a luz naturalmente se expanda sem controlá-la ou direcioná-la, ela sabe o caminho, se guia por ela mesma, por diversas direções.


Para tanto, ela necessita de permissão, pois comporta em si o entendimento do limite. Por si só, a luz não faz entrada em portas fechadas, em caminhos do 'não', em lugares ainda em processo de preparação. A luz não é invasiva nem sequer arrogante, não está na mente conceitual, mas na cósmica. Por isso, somos tubo, não máquinas processadoras, quanto menos se controla ou se pensa, mas a natureza real da luz se manifesta, nossa missão é apenas permitir sua entrada.


A vida é curta, o vírus está aí para nos ensinar que não temos tempo. Quanto mais aceitarmos, melhor faremos uso de nossa passagem na terra. Não temos tempo a perder, com ódio, vingança, inveja, dor, tristeza, arrogância, jogos de ego e de poder, magoa, angústia e medo. Não percamos tempo absorvendo a sombra, saibamos reconhecê-la, acolhê-la, respeitá-la, ter compaixão e acima de tudo entregar ao universo.


A existência humana é curta demais. Precisamos ganhar tempo amando a quem nos ama, dando a quem quer receber e retribuir, deixando a luz fluir e seguir seu fluxo, não direcionadamente, atingindo a quem estiver disposto a se iluminar. Não percamos tempo insistindo, Deus, amor e centelha divina, não invade, mas sendo a paciência suprema, espera e sacode quando é tempo. Sejamos pontos de luz encontrando novos pontos de luz para iluminar cada dia mais. É preciso abrir-se ao entendimento, ao sentimento; é preciso ganhar tempo, pois chega-se o momento em que percebemos que muito já se foi perdido. Perdemos tempo com futilidades, com pequenezas, perdemos pessoas que podíamos ter amado mais, perdemos momentos e muito de nós. Mas é preciso olhar adiante. Há ainda tempo para ganhar, há ainda muito que viver, muito que amar e muitos para amar. A vida, está aí, aguardando gratidão.


Não permita que te escureçam, que brinquem com tua luz, que te desvie dos teus propósitos. Afasta-te das incongruências, disto cuida o Pai. Eis que digo: eu sou a pequena, tu és o grande, dai-me o vosso amor. Não absorva a perversão, olhe, não julgue, acolha em teu peito e tenha compaixão, se não há o que acrescentar, se não te é permitido, volta-te para outros caminhos.


Ao longo da vida, percebemos que a energia divina tudo provê e tudo guia, suas mãos não falham, sua justiça é perfeita e sua bondade infinita, seu amor, Tudo. Cuidemos do nosso coração para que ele seja verdadeiramente puro, pois o único que consegue enxergá-lo e que de fato recompensa ou dá conforme o feito é Deus/ o Universo/ a Energia Cósmica. Sua energia não conhece a dor ou as quedas da vida, conhece apenas o fluxo infinito do amor e da plenitude, da providência e da calma, da justiça e da concórdia, do aprendizado e da evolução. Não enganamos ao TODO, podemos até nos enganar, mas ele trata de nos revelar no nosso tempo, dentro das nossas limitações, conforme o fluxo da vida. Ele nos retira a máscara dos olhos e as coloca no devido lugar, para que possamos aprender que nossa respiração não é maior nem melhor do que o nosso próximo, do que os animais, os insetos, as árvores e todos os seres com o qual convivemos.



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