A banalização da imoralidade

A imoralidade move a história humana! O ato imoral bagunça com a estrutura moral que tenta apresentar-se como última forma de coesão social. O ato imoral tem a capacidade de ferir a consciência coletiva, que acredita ser coesa, segura, estável. Se há ações imorais é porque nem todos os indivíduos estão integrados totalmente com as normas, costumes e padrões de determinada sociedade. Por exemplo, a ousadia de grandes filósofos e cientistas da Idade Média, contra as ideias religiosas cristãs de superioridade da fé sobre a razão, sacudiu os alicerces de uma sociedade ocidental europeia que acreditava que o último estágio da humanidade eram aqueles séculos de dominação religiosa. O problema é que na contemporaneidade virou moda ser imoral. O excesso de imoralidade, reflexo da liberdade moderna, leva a uma série de patologias sociais.


Aquilo que é considerado como imoral em um determinado contexto social, pode variar no tempo e no espaço. A história da humanidade mostra que foi preciso que um ou mais pessoas tivessem que transgredir os padrões normativos, sofrendo diferentes graus de coerção, para mostrar que nem tudo é maravilhoso e coerente. Dois exemplos disso foram Sócrates e Jesus, considerados como sujeitos imorais em suas épocas.


Pensar uma sociedade perfeita sempre foi um problema, porque na prática nunca saberemos o que é isto, pelo simples fato de que ela nunca existiu. Um ato de rebeldia já não é um sinal de que nem tudo está perfeito? Uma única pessoa que se rebela contra todo um conjunto de práticas já não é um sinal de fragilidade daquele tipo de sociedade? Não é um questionamento ao status quo? Esse é o perigo da igualdade. Pensem: se de fato acreditarmos que chegamos todos ao ápice da civilização, ou seja, de que alcançamos a forma mais harmônica de convivência, qualquer traço de atrevimento e questionamento de um indivíduo faz sê-lo uma aberração, uma laranja podre? Ou já não devemos questionar a cristalização das normas?


É aí que a questão da liberdade sempre foi um perigo para as comunidades antigas e os Estados constituídos, pois ela está atrelada ao pensamento, no sentido