Ai,ai,tem feitiço tem! O erotismo na música brasileira.


Muita gente reclama das baixarias contidas nas músicas atuais, geralmente escutadas nas alturas. Provavelmente o barulho é mais angustiante, porém, sempre sobra uma crítica horrorizada ao teor infame das letras. Mas isso é algo contemporâneo? O poeta baiano Gregório de Matos Guerra, o “Boca do Inferno”, já dava a deixa de que não há nada de novo no fronte: “de dois ff se compõe essa cidade a meu ver: um é furtar, outro foder”. Podemos até dizer que Gregório não era só indecente, mas a questão aqui não é essa. O palavreado chulo, o duplo sentido, a picardia e o escracho sempre nos rondaram. Esse artigo será mais um mostruário que uma análise elaborada.


Vamos fazer um recorte a partir da primeira década do século XX, quando a Casa Edison, no Rio de Janeiro, lançou os primeiros LP’s. O intérprete Mario Pinheiro dava o tom do esculacho, com composições tais quais “Pela Porta de Detrás” e “Boceta de Rapé”, gravadas entre 1905 e 1908. A primeira canção fala da relação de algumas pessoas. Em certa altura ele fala de “um velho valente e capaz”



De fazer-me em mil pedaços

De evitar nossos abraços

Pela porta de detrás