Estado Zero e o drama dos refugiados.


Atravessamos o mar Egeu Um barco cheio de Fariseus Com os Cubanos Sírios, ciganos Como Romanos sem Coliseu

(Diáspora - Tribalistas)



A respeito de uma proposta de possível redução do efetivo das Forças Armadas, o então presidenciável Jair Bolsonaro teria proferido a seguinte frase: “é menos gente na rua para fazer frente aos marginais do MST, que são engordados agora por senegaleses, haitianos, iranianos, bolivianos, e tudo que é escória do mundo, né, e agora tá chegando os sírios também aqui. A escória do mundo tá chegando aqui no nosso Brasil como se nós já não tivéssemos problemas demais para resolver. Esse é o grande problema que nós podemos ter”.


Não se tem estudos sobre números de estrangeiros no MST, ao contrário, o movimento de luta pela terra denuncia compras de terras por poderosos grupos internacionais. E seria correto enfrentar o MST através de combatentes preparados pra guerra? Mas isso nem importa aqui. A total ignorância da frase acima não encontra reverberação na tragédia da emigração forçada.


São muitas razões para alguém deixar a pátria de origem sozinho ou com a família, partindo para outro país, almejando no mínimo uma fuga do inferno. A colonização nas Américas Central e do Sul, África e boa parte da Ásia resultou em formações de estados nacionais, colocando em mesma fronteira etnias rivais, que se engalfinhavam durante o processo. Após as independências políticas dos respectivos dominadores europeus, as bases territoriais constituídas permaneceram, dando sustentação a muitas ditaduras sangrentas e governos totalitários. O tirano que assumia, pertencia a um grupo que, sentindo-se representado pelos ares do poder, fomentava massacres aos inimigos étnicos. Assim, foi potencializado o surgimento de guerrilhas, milícias, califados e organizações paramilitares. Daí nasce o horror de