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A GENTE NÃO NASCE HOMEM, TORNA-SE HOMEM (PARTE I) – A CONTRIBUIÇÃO DO FEMINISMO PARA AS REFLEXÕES SOBRE AS MASCULINIDADES





GÊNERO, MULHERES E FEMINISMO


Ao longo das últimas décadas, o feminismo emergiu como um movimento poderoso que questiona e desafia as normas de gênero profundamente enraizadas na sociedade. Um dos marcos fundamentais desse movimento foi a ideia de que o gênero não é uma entidade fixa e biologicamente determinada, mas sim uma construção social.


Judith Butler (filosofa américa considerada como uma das maiores teóricas da sexualidade e gênero das últimas décadas) no livro Problemas de gênero – feminismo e subversão da identidade, retoma Simone de Beauvoir para nos explicar como o gênero é socialmente constituído. Reinterpretando a célebre frase de Beauvoir “a gente não nasce mulher, torna-se mulher”, Butler mostra que, para a autora francesa, o gênero é construído, mas há nesse ato um agente envolvido que sugere flexibilidade na construção. Para ela, a frase também indica a existência de uma compulsão cultural no “torna-se mulher” que claramente não vem de uma essência, não vem dos nossos genes.


A ideia da essência, na verdade, não passa de uma construção baseada na crença da naturalidade do ser e do esforço, desempenhado ao longo da história, no passar dos séculos, de sedimentação de um modo de ser homem e de ser mulher considerado correto e natural. Essas características são apenas ficções internalizadas e, posteriormente, naturalizadas para forjar o efeito de que nossos comportamentos e aparência surgem da nossa natureza, da nossa essência enquanto seres humanos.


 Esse questionamento do gênero como algo inventado\fabricado no tempo-espaço abriu caminho para a desconstrução das noções tradicionais de feminilidade. A mulher, antes vista predominantemente através de uma lente biológica e muitas vezes relegada a papéis específicos no âmbito doméstico, começou a ser compreendida como uma construção social. O feminismo trouxe à tona a ideia de que as expectativas sociais em torno do comportamento feminino eram moldadas por normas arbitrárias e sistemas de poder arraigados na história.


Essa nova perspectiva estimulou uma revisão crítica das estruturas sociais que perpetuavam a desigualdade de gênero que permitiram avanços sociais na direção da inclusão das mulheres. No entanto, é interessante notar que, inicialmente, o foco dessa reflexão teórica e dessas lutas estavam centradas predominantemente nas experiências e na emancipação das mulheres. Foi somente com o tempo que a atenção se voltou para a construção social da masculinidade e para os efeitos prejudiciais das normas de gênero também nos homens.


No próximo texto dessa pequena série  (de três ou quatro textos) refletindo sobre as masculinidades, vamos entender como as discussões sobre masculinidades surgem a partir dos estudos e inquietações teóricas e políticas do feminismo!


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Fonte: Foto de  Stella Bentama.






 

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