A Incrível História da Ilha das Rosas




A Incrível História da Ilha das Rosas (atualmente na Netflix), dirigida por Sydney Sibilia, é um entretenimento tenso e ao mesmo tempo motivador. É um drama com comédia. Baseado em fatos reais, conta a história de um engenheiro recém-formado, Giorgio Rosa, que se vê inadaptado num mundo no qual as leis impõem restrições às seus sonhos. Seu espírito inovador e um pouco anárquico não quer ser importunado por nada. Qualquer sinal de criatividade era um cortar de asas constante.

Giorgio quer um mundo mais livre. Quer viver sem incômodo e sem cobranças estúpidas. E qual sua grande ideia genial e insólita? Ter seu próprio mundo. Sim, um mundo real, um pequeno país, um pequeno lar não italiano. Onde? No meio do mar. Exatamente! Ele e um amigo endinheirado da faculdade correm atrás de algumas pilastras de ferro, fincam-nas no fundo do mar e começam a construir uma espécie de grande casa. Um lugar no meio do mar, em águas internacionais, sem dono. Ou melhor, Giorgio é o dono - presidente.


A demarcação de território no oceano ainda permitia espaço para um indivíduo independente declarar-se dono de algo. Por incrível que pareça!


Esse era o plano idealista do nosso aventureiro. A sua determinação e a jurisprudência não podiam impedi-lo de ter seu próprio território, a não ser por uma invasão bélica. O pequeno país, ainda não reconhecido internacionalmente, tornou-se uma atração mundial. Pessoas apareciam de todos os cantos; sua popularidade cresceu absurdamente. Claro que isso incomodou o Vaticano e o governo italiano. Na Ilha das Rosas não havia leis; inexistia restrições moralistas, os tais valores conservadores castradores. Então a Igreja e o Estado pensaram: o que aqueles devassos acham que estão fazendo lá? Fraturando nossos costumes, nossos valores!?


É, meus caros, estamos aqui falando do ano 1968, época de grande convulsão e transformações caras à sociedade contemporânea. Protestos pesados após a morte Martin Luther King nos EUA; manifestações de estudantes franceses e uma greve geral contra o governo autoritário do general Charles de Gaulle; Passeata dos Cem Mil, no Brasil, organizado por estudantes, intelectuais, artistas contra a Ditadura Militar instalada em 1964; mais protestos de jovens e trabalhadores, em vários países, contra o capitalismo e os apegos conservadores; passeata nos EUA contra a bizarra Guerra do Vietnã.