AFINAL, QUEM COMPÔS “ENROSCA”?



Na edição do Big Brother Brasil de 2021, a participante Vih Tube fez uma pergunta para o Fiuk a respeito de uma das músicas que acabara de ouvir na exibição especial da novela Império. Mesmo sem perceber, ela levantou uma questão interessante e desconhecida por muitos: Afinal, quem compôs “Enrosca”?


A música, comumente associada a autoria de Fabio Jr., na verdade, têm outro autor, inclusive, a música “Seu Melhor Amigo” também é de sua autoria. Você pode até não reconhecer o nome dele, entretanto, provavelmente conhece algumas de suas composições. Mas não se preocupe, você não está sozinho. Quem será esse compositor que possui como um de seus fãs assumidos, um dos maiores cantores da história da música nacional? É isso que venho responder para vocês (e para a Vih Tube) no texto de hoje.


“O Guilherme é um cara que, quem têm contato com a obra, se não ficar fã, alguma canção pega na pessoa. Ele vivia música. Ele era 100% música. Compositor e cantor de talento. As regravações que fizeram têm muito dele nas vocalizações e nas entonações de voz. ” Essas são as palavras de Alipio Argeu, um dos principais responsáveis pelo resgate da obra e vida do Guilherme Lamounier, um dos compositores mais marcantes da música brasileira, autor de hinos que fizeram muitos brasileiros e brasileiras se emocionarem ao ouvirem nos rádios e telenovelas suas canções.


Vamos começar pelo começo. Guilherme Lamounier foi um multi-instrumentista, compositor e ator nascido no Rio de Janeiro em 25 de novembro de 1950. Antes mesmo de nascer, Guilherme já tinha a música no sangue. Seu avô, Gastão Lamounier, era considerado o “Rei da Valsa” na década de 30. Sua mãe, Sylvia Lamounier, era cantora lírica, professora de canto e pianista clássica. Em sua adolescência já mostrava sinais de que seguiria na música, formando bandas que incorporavam um pouco do rock ´n´ roll que tocava nas rádios da época.


Guilherme Lamounier chegou a fazer parcerias com grandes artistas e compositores. Da parceria com Tibério Gaspar nasceu seu álbum de 1973. O álbum é clássico e atual ao mesmo tempo. Enquanto ouvia as canções perdi a conta de quantas vezes me peguei impressionado com alguma passagem. Algumas delas, sabia que tinha escutado antes, mas não sabia que eram dele. Nessa hora que me coloco no mesmo lugar que a Vih Tube.


As músicas foram compostas em 1971 e gravadas em 1972, trazendo composições ousadas e sofisticadas, o álbum era algo pouco visto na música até então. Segundo Tibério se tivesse sido gravada assim que compostas com certeza o impacto seria maior, porque a sonoridade que bolaram na época não havia ainda sido usada (bateria, baixo e violões com corda de aço), aparecendo apenas em 72 com James Taylor, Simon & Garfunkel, Carol King e Cat Stevens, tirando o ineditismo da harmonia do som.


Em 1977, pela Phillips, é lançada a música central de nossa coluna. Enrosca foi composta em 1975 para a cantora Lilian Knapp. Foi um sucesso comercial. Presente na trilha sonora da novela Locomotivas de 1977, rendeu um Globo de Ouro para Guilherme. Foi regravada por inúmeros cantores, como Sandy e Junior, Paulinho Moska e, é claro, Fabio Jr.


Atravessando gerações, Enrosca fez e ainda faz parte da vida de muitos em seus 44 anos de vida, tornou-se uma daquelas músicas que, independente do seu gosto musical, sempre vai ter um espaço na sua playlist. Afinal, todos nós nos apaixonamos e, Enrosca faz o seu papel como música. Entre acordes, explica o que sentimos. Inclusive quando vemos aquele alguém especial.


Infelizmente, Guilherme Lamounier se foi no dia 07 de agosto de 2018 aos 67 anos, mas deixou um legado: uma história e obras que formam fãs até hoje. Escrevi esse texto ouvindo as canções de Lamounier, ficando hipnotizado por cada elemento presente. Suas influencias no rock ´n´ roll e na música brasileira se fundem com sua visão a frente de muitos contemporâneos.

E pelo jeito, não é apenas o Alipio, eu e o Fabio Jr. que compartilhamos a admiração pelas suas canções. Na data em que escrevo esse texto, 10/05/2021, é lançada a reedição do disco de 1973 do Guilherme Lamounier. Aquele em parceria com Tibério Gaspar. Devemos isso ao selo Mad About Records lá de Portugal.


Seja na voz de seus inúmeros interpretes, nos fãs de dentro e de fora do Brasil ou no coração de pessoas como o Alipio Argeu, a obra de Guilherme Lamounier segue e sempre seguirá viva como parte fundamental da cultura da nossa música nacional. E quer um conselho? Aproveite o embalo e dê uma escutada nas músicas dele. Prometo que irão arrancar muitos sorrisos de seu rosto.


Fonte da imagem: Gabriel Martins.

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