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FLORES DE BATALHA: a resistência contra o perverso sistema excludente






Para 1968, “as flores” eram um verdadeiro convite à resistência. Para muitas mulheres empoderadas, as “flores” é um tanto faz e para outras mulheres, igualmente empoderadas, flores é um jeito de roubar um sorriso numa quarta-feira agitada. E, também, para mim, que ando com o livro “Flores da batalha” de Sérgio Vaz na bolsa. Flores significam OUSADIA. Afinal, toda a literatura que incomoda tende de ser a ousada. E é assim que obra citada mantêm o tom em 269 páginas. É fácil permitir que a loucura do dia a dia desvie o nosso olhar de certas delicadezas da vida. Contudo, como ressalta o prefácio da obra feito pelo Emicida, Vaz insiste em oferecer flores, tal como uma flor teimosa que exibe beleza em meio ao lixão ou do concreto.


Sabe-se que o país não costuma tratar com delicadeza a arte que vem das periferias. Por isso, é tão comum ver estampado o medo, quando aparecem nos ônibus de Salvador, jovens que afirmam que o seu único objetivo é declamar poesia. Facilmente as mãos prendem a bolsa, mas após 5 minutos se afrouxam, porque os poemas como versa o Sérgio “(...)é um bom remédio para doenças da alma.”


Porém, cabe aqui uma questão. Quando?


Quando perderemos o medo de oferecer e ganhar flores? Sei que para quem já viu uma arma ou uma faca apontada na sua direção é difícil acreditar na poesia alheia. Mas, persisto em questionar como a já citada flor teimosa:

Quando?


Sei que a resposta pode variar de indivíduo para indivíduo, porque cada ser é dotado de valores e crenças. No entanto, trago aqui uma palavra um tanto ousada: reconhecimento. Sim! Ousada. Em tempos de extrema vaidade, parece que ninguém quer reconhecer o potencial alheio. A crítica muitas vezes não confere honrarias a literatura periférica. Ninguém quer oferecer nem receber flores. Mas, acredito que é no verbo reconhecer que há boa parte da resposta, afinal, até nas mais acaloradas discussões, quando um dos envolvidos reconhece algo, tudo costuma fluir.


Reconhecer é reparar. Na última quinta-feira, em Salvador, houve um ato de reconhecimento para com Maria Felipa. Um monumento com 3 metros de altura foi inaugurado na praça Cairu, no bairro do comércio. Ainda conta com um QR que proporciona a quem visita à obra conhecer um pouco mais da personagem por meio de um Smartphone. Embora seja uma reparação tardia, é fundamental. A história não costuma privilegiar mulheres. E se estas são negras, pior. Marisqueira? Ainda pior. Mesmo no íntimo, reconhecendo que esta mulher se comportou como uma heroína. Por isso, repito: ninguém está disposta a oferecer nem receber flores.


Sou daquelas em que acredito que uma estátua não é só uma estátua. Mas, é a arte exalando uma palavra de ordem, tal como os versos da obra “Flores da Batalha”. E você, ao se deparar com a obra de Nádia Taquary consegue imaginar qual palavra de ordem ressoará? Bem... por ora só consigo lembrar do direct que recebi do Sérgio Vaz essa semana como uma boa resposta:

“Daora. Abs”




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