Os temas do filme "NÃO OLHE PARA CIMA"




Não Olhe para cima é nova aposta da Netflix, dirigido por Adam Mckay e com elenco recheado que conta com Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio, Mary Streep, Tyler Perry. O filme é uma tragédia cômica, uma sátira assustadora sobre a sociedade contemporânea. Os temas abordados são múltiplos. Veremos alguns deles no meu último texto de 2021.


Negacionismo. Certamente o ponto mais importante do filme; é uma crítica dura a respeito dos negacionistas científicos. Assim como há pessoas que negam a covid mortífera no mundo real, o aquecimento global e suas consequências ou mesmo a factualidade da geometria da Terra, há os que poderiam negar um cometa que pode destruir quase toda a vida por aqui. E isso, convenhamos, é muito assustador. Mas há, também, os que negam coisas que geralmente deixamos de lado, igualmente assustadoras, e não damos a devida importância: existência de índices bárbaros de desigualdade social, fome, desemprego, violência, miséria, corrupção, sonegação fiscal, altos tributos. Essa turma é alienada, fanática, ignorante, mau-caráter, com problemas psicológicos, mergulhadas numa ontologia invertida, ou exatamente o quê? Não olhar para cima significa também fazer vista grossa a essas questões concretas, cotidianas. Mas, infelizmente, estamos mergulhados no espírito do tempo da tirania da subjetividade (doxa), que inviabiliza qualquer engenho mais amplo. E ainda há os que acham que nosso problema maior é falta de liberdade.


Mídia. A obra cinematográfica retrata também como a imbecilidade virou um produto que dá lucro, enorme lucro, visando captar audiência e atender aos patrocinadores. Além disso, as informações veiculadas também representam como pensam os seus donos, e isso, claro, influencia os telespectadores dos mais diferentes espectros. Conteúdos podem ser idiotas, se olhado mais de perto, mas, a média consome o entretenimento pobre. Fazer o quê? E isso já basta para eles.


Ciência. Outro ponto que chamou bastante atenção é sobre a dificuldade da ciência, ou dos cientistas, em se conectar com leigos. É uma verdadeira cruzada chamar atenção da população aos reais problemas, comunicando-os com critérios objetivos, frios e não envolventes com soluções existenciais. É um desafio hercúleo, e eu me incluo nisso, usar a linguagem científica de forma mais simples e não alienígena, mas sem ser rasa. Se você é leigo no campo da ciência, meu conselho é que seja modesto, assuma sua ignorância e deixe os especialistas emitirem o juízo de suas longas pesquisas. É 100% certeza de sucesso? Não, mas, certamente, a probabilidade de eles estarem certos é infinitamente maior do que seu achismo mequetrefe aprendido nos grupos de WhatsApp, nos canais picaretas no youtube, com pastores de igrejas e nas falas de políticos intelectualmente delinquentes. O mundo da opinião, da doxa, e a prepotência de sobrepor-se a episteme (conhecimento objetivo).


Política. É importante destacar também o fenômeno da panpolítica. Tudo hoje é politizado, todos os acontecimentos, até um cometa fatal que pode cair no planeta. E a politização envolve a estratégia das fake news e das informações distorcidas, pois fazem parte do pacote. É o famoso vale tudo. Tudo acaba em supostas narrativas, com fins aparentemente políticos/ideológicos, mesmo contra os factos bem à nossa frente, que atinge a todos sem distinção. A panpolítica casou com a deformação da realidade, seja para benefícios privados, por alguns, seja para não aceitar o que os olhos vêm. Trump e Bolsonaro que o digam.


Grandes Corporações. Seu poder é enorme e capaz de colonizar a política, ou pelo menos de influenciá-la brutalmente, a ponto de fazer vista grossa aos problemas reais que assolam a sociedade, até à sua existência, como aponta o filme. Nesse mundo capitalista, as grandes empresas influenciam diariamente as escolhas políticas, na ação e inação.


Mídias Sociais. O mundo virtual é casa do tudo pode. E muito dela pode ser resumida em uma caçada de curtidas, visualizações e propagação ilimitada, muitas e muitas vezes, de imbecilidades que parecem mais um vírus, pois atinge todos os níveis sociais; estamos mergulhados numa espécie de apologia à mediocridade, ao simplismo barato e vagabundo, ao tosco, e que em nada agrega algo definidor de aperfeiçoamento ou convivência social. É triste, mas há muito mais muros do que pontes, é o que temos observado.


Meus caros e minhas caras, ainda é possível identificar outros temas interessantes na película, tal como o machismo, sexismo, racismo, aporofobia.


Não Olhe para cima é um caleidoscópio que vale muito a pena.


Até a proxima!


Link da imagem: https://www.pragmatismopolitico.com.br/2021/12/cinco-acontecimentos-reais-que-inspiraram-o-filme-nao-olhe-para-cima.html



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